segunda-feira, 2 de abril de 2018

Estranha Perseguição

  "As palavras são mais perigosas do que aparentam".
  Era o que estava escrito em um pedaço de papel, em tinta vermelha, parecendo sangue, que voava ao léu e que, coincidentemente, veio parar em suas mãos.
  Coincidentemente? Eu acho que não, pensava. Mal sabia ele que a vida dele correria perigo a partir deste momento.
  Ele foi desenvolvendo uma paranoia, achando que iria encontrar mais papeis como aquele, na verdade, achava papeis os perseguiriam. E passou um, passou dois, passou três... Passaram-se seis dias e anda muito mais além do que sua vida pacata e já considerada sem graça que seguia... Mas... Completara-se uma semana desde o primeiro papel e...
  Numa bela manhã de outono, na entrada de sua casa, um papel, do mesmo tamanho, cor e textura. Com o mesmo mistério...
  "As palavras estão te vigiando".
  Ficou intrigado... Já não achava sua paranoia tão infundada assim. Sentia-se escolhido. Mas escolhido para quê? Será que era somente mais um doido querendo tirar-lhe sua paz de espírito? Pensando nisso, decidiu ser isso só um trote, alguém que realmente decidiu tirar com a sua cara... Relaxou...
  Será?
  Segunda semana.
  Saíra para trabalhar e nada de diferente constava em sua porta. Respirou. Até chegar em seu trabalho.
  Na sua mesa, depositado estrategicamente em cima do teclado de seu computador, um papel, branco, como os outros, retangular, como os outros, jazia tal qual um corpo abandonado,  cuja única função era o de assustar aquele que já se encontrava assustado.
  "As palavras vão te enlouquecer".
  Já não sabia mais o que fazer. Estava com medo de sair, de ver, de viver, com medo dos pequenos recados que as palavras poderiam lhe deixar. Afinal, quem estava fazendo isso? O que essa pessoa queria ganhar com isso?
  "As palavras vão te sufocar".
  E foi a gota d'água. Mais um.
  Não sabendo mais o que fazer, decidiu gravar todos os locais que ia e poderia ser gravado. E o que apareceu nas gravações, o estarreceu.
  Foi chocante ver que as palavras que o perseguiam, eram as mesmas que moravam dentro dele e que por ventura ele não as deixava sair. E os recados, nada mais eram que escritos por si mesmo, com tinta vermelha, parecendo sangue, o seu sangue, só para mostrar como a falta do falar o matava aos poucos.
  Sofria um ataque psicótico, só não sabia ser dele mesmo.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

As cores das vacas

  Em homenagem à Ellen Christyna biologuinha
  
  Acredito que eu já devo ter falado mais de uma vez que é ótimo crescer no interior. E quando se tem irmãos, é melhor ainda, e primos também.
  Eu sei, também, que já escrevi algumas vezes o quão me sinto sortudo por ter essa família que tenho, em especial, o meu irmãozinho, o Lucas e a Larissa, nossa priminha linda que faz as melhores peraltices com o Luquinha.
   Na história de hoje (e agora até parece que eu tenho um programa de televisão), os pimpolhos decidiram atacar de biólogos e conversavam com muita seriedade, de fazer inveja aos melhores cientistas da área. E eles discutiam sobre... Vacas!
  Obsevavam com muita atenção o imenso pasto do nosso vizinho, lugar este qye tunha tudo quanto é vaca: preta, branca, marrom, malhada... Todo tipo que se pode ter, e, em se tratando dos nossos biologuinhos cujo principal instrumento de pesquisa é a imaginação, se estabeleceu o seguinte diálogo:
  - Lucas, por que existem vacas de diferentes cores?
  E Lucas pareceu estar raciocinando como se esta fosse uma pergunta muito difícil e que precisaria de muita deliberação para dizer o motivo, e começou:
  - Elas têm cores diferentes, porque elas dão leite de tipos diferentes. - falou resoluto.
  - Mas como assim? - perguntou confusa - o leite tudo não é branquinho?
  - Ué! Você nunca reparou que tem leite de chocolate? Esse, com certeza, vem de vaca marrom!!!
  - Ah! Entendi! Então, é a vaca branca que dá o leite branquinho, né? - perguntou Larissa, entrando na onda.
  - É!!! - exclamou Lucas em tom esclarecedor.
  - E a vaca preta? Dá café?
  - É, Lari... Dá café...
  - Então, Luquinha, a malhada de branco e preto, é de café com leite e a de marrom com branco é de leite de chocolate franquinho! - complementou nossa priminha.
  - É... Eu não tinha pensado nisso, mas é isso sim, Lari...
  - Mas Luquinha, e o leite de morango que a tia deu outro dia? De onde vem? Nunca vi vaca rosa... Aí!!! Seria linfo, eu queria ter uma vaca rosa!!! - falou Larissa sonhadora.
  - Ihhh!!! Essa eu não sei... Vou ter que fazer muitas pesquisas para descobrir.
 E Lucas entrou correndo para a biblioteca para descobrir.
  - E essa agora, Pedrinho? - perguntou Larissa atônita.
  E só me restou rir, imaginando o que Lucas faria para desobrir a vaca que dá leite de morango.

  

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Pura Poesia

  Gastei folhas e folhas de papel, tentando escrever uma poesia que se comparasse a você, mas não consegui.
  Você é pura poesia.
  Nada que eu tente exprimir vai ser páreo ao tamanho de sua beleza.
  Seus cabelos, iluminados e aloirados, são para mim, tal qual os raios do sol.
  Sua pele, alva, são de uma pureza doce que me encanta.
  Sua boca, tal qual a Monalisa, me mostra um sorriso que não consigo desvendar.
  Seus olhos, os meus preferidos, de um verde acastanhado, me olham com esses olhos de menina e me sorriem como olhos de mulher.
  Você é a minha poesia preferida, a obra de arte que escolhi para ser a minha.
  Não me adianta escrever, desenhar, pintar... Nada será tão belo quanto a beleza que emana de você.
  Você que escolhi para ser meu amor, minha diva...
  Meu eterno bem querer.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

O segredo de seus olhos

  Seus olhos, um vitral, o mais agradabilíssimo de se ver.
  Seus olhos, um mistério, o que eu mais gostaria de entender.
  Seus olhos, cor, o que eu mais gosto de colorir.
  Se por vezes, verdes e límpidos, se apresentam, uma nódoa escura se apresenta, a dúvida, o enigma, que eu não consigo desvendar.
  E sigo com essa incógnita a me perseguir, o que seus olhos, esse colorido de claridade e escuridão querem me dizer? Se é sim ou se é não, só os seus olhos, meu querido, podem me responder.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

O Retrato

  Era um olhar encantador.
  Uma candura na forma de rosto de menina, de mulher, que conseguia esconder bem, todos os seus segredos. Era indecifrável.
  Tentei várias vezes, fazer um retrato, imprimir na tela, a doçura de seu ser. Seus cabelos cacheados, a sua pele levemente amorenada, com um leve toque róseo nas maçãs de seu rosto.  Seus olhos, grandes, verdes, que iluminam muito mais a sua pele, mas nunca consegui. Nada que eu fizesse, fazia jus ao seu ser.
  Eu não sabia o que era mais difícil retratar, seus olhos ou seus lábios. Talvez eu, na condição de um simples mortal, não conseguiria retratar essa minha musa, que me é, praticamente, uma deusa.
  Ah... Invejo eu a perícia de Da Vinci, que com sua destreza, conseguir pincelar o inigualável sorriso de Monalisa. Eu, me contento em carregar na memória, o rosto da minha amada. Obra de arte única, inexpressável, que guardo dentro de mim, na minha galeria de uma obra só. Minha musa, minha deusa, com seus olhos doce e inebriantes, e que para sempre, serão só meus.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Rio de memórias

As memórias são como um rio
Está fluindo, calmamente, sem interferir
Até que decidem se transformar em turbulência
Aí não tem mais quem segure
É lembrança que aparece para todo lado
Encharcando e inundando de emoções
O nosso ser...
                Sem barreira...
                                   Sem barragem...

terça-feira, 25 de julho de 2017

Ser escritor

  Acredito que eu possa dizer que eu sou um escritor.
  Não porque passei a minha vida entre contos e poesias, escritos que até me renderam algum dinheiro, apesar de achar que isso não é o que define um escritor. 
  Um amontoado de papel,com capa e palavras, qualquer um pode fazer, mas não é qualquer um que pode tocar um coração, e isso que é ser um verdadeiro escritor.
  E por tocar um coração, não falo que seja romanticamente, embora também possa ser, mas é você emprestar uma centelha de sua visão, para as pessoas que se afinam com você, desde o vizinho da porta ao lado, até uma pessoa que mora no extremo oposto que você, e aí, vocês passam a se conhecer, ou melhor, se reconhecer.
  Ser escritor é ser vários dentro de um, sentimento multifacetado, pensamento empírico que desnuda um ser completamente. Ser escritor é desnudar-se.
  Não das roupas que envolvem um ser mortal de carne, mas desnudar o invólucro imortal que faz de cada um, um ser. 
  Ser escritor é ser único.
  Ser escritor é ser doador.
  Ser escritor é mostrar o mais do mesmo e o mesmo do mais.
  Os escritor de um escritor não mais dele depois de terminado, é sempre do leitor, por isso, ser escritor é sempre dar presentes, para todos, inclusive para si.
  É ser uma alma sensível, em meio a muitas outras, além disso, é mostrar sua sensibilidade. Ser escritor é se mostrar.
  É criar vida, por fim, personagens-pessoas que passam a habitar o nosso mundo, como se sempre estivessem existido, como se fossem nossos amigos, inimigos, amores e desamores.
  Enfim, ser escritor é ser criador.
  Criar vida da tinta, sentimento do papel. Tirar cor do branco e colorir a imaginação, com quem aceita compartilhar um novo mundo, um novo modo de ser.
  Ser escritor é muito mais do que encostar a caneta no papel e escrever.
  Ser escritor é sentir, viver, transmitir, mostrar, doar, amar, criar... 
  No final de tudo, ser escritor é ter a mente inquieta e tentar inquietar o que se encontra parado, sem vida... Ser escritor é renascer, transcender... É sempre renovar...
  

Estranha Perseguição

  "As palavras são mais perigosas do que aparentam".   Era o que estava escrito em um pedaço de papel, em tinta vermelha, parec...