segunda-feira, 30 de outubro de 2017

O segredo de seus olhos

  Seus olhos, um vitral, o mais agradabilíssimo de se ver.
  Seus olhos, um mistério, o que eu mais gostaria de entender.
  Seus olhos, cor, o que eu mais gosto de colorir.
  Se por vezes, verdes e límpidos, se apresentam, uma nódoa escura se apresenta, a dúvida, o enigma, que eu não consigo desvendar.
  E sigo com essa incógnita a me perseguir, o que seus olhos, esse colorido de claridade e escuridão querem me dizer? Se é sim ou se é não, só os seus olhos, meu querido, podem me responder.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

O Retrato

  Era um olhar encantador.
  Uma candura na forma de rosto de menina, de mulher, que conseguia esconder bem, todos os seus segredos. Era indecifrável.
  Tentei várias vezes, fazer um retrato, imprimir na tela, a doçura de seu ser. Seus cabelos cacheados, a sua pele levemente amorenada, com um leve toque róseo nas maçãs de seu rosto.  Seus olhos, grandes, verdes, que iluminam muito mais a sua pele, mas nunca consegui. Nada que eu fizesse, fazia jus ao seu ser.
  Eu não sabia o que era mais difícil retratar, seus olhos ou seus lábios. Talvez eu, na condição de um simples mortal, não conseguiria retratar essa minha musa, que me é, praticamente, uma deusa.
  Ah... Invejo eu a perícia de Da Vinci, que com sua destreza, conseguir pincelar o inigualável sorriso de Monalisa. Eu, me contento em carregar na memória, o rosto da minha amada. Obra de arte única, inexpressável, que guardo dentro de mim, na minha galeria de uma obra só. Minha musa, minha deusa, com seus olhos doce e inebriantes, e que para sempre, serão só meus.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Rio de memórias

As memórias são como um rio
Está fluindo, calmamente, sem interferir
Até que decidem se transformar em turbulência
Aí não tem mais quem segure
É lembrança que aparece para todo lado
Encharcando e inundando de emoções
O nosso ser...
                Sem barreira...
                                   Sem barragem...

terça-feira, 25 de julho de 2017

Ser escritor

  Acredito que eu possa dizer que eu sou um escritor.
  Não porque passei a minha vida entre contos e poesias, escritos que até me renderam algum dinheiro, apesar de achar que isso não é o que define um escritor. 
  Um amontoado de papel,com capa e palavras, qualquer um pode fazer, mas não é qualquer um que pode tocar um coração, e isso que é ser um verdadeiro escritor.
  E por tocar um coração, não falo que seja romanticamente, embora também possa ser, mas é você emprestar uma centelha de sua visão, para as pessoas que se afinam com você, desde o vizinho da porta ao lado, até uma pessoa que mora no extremo oposto que você, e aí, vocês passam a se conhecer, ou melhor, se reconhecer.
  Ser escritor é ser vários dentro de um, sentimento multifacetado, pensamento empírico que desnuda um ser completamente. Ser escritor é desnudar-se.
  Não das roupas que envolvem um ser mortal de carne, mas desnudar o invólucro imortal que faz de cada um, um ser. 
  Ser escritor é ser único.
  Ser escritor é ser doador.
  Ser escritor é mostrar o mais do mesmo e o mesmo do mais.
  Os escritor de um escritor não mais dele depois de terminado, é sempre do leitor, por isso, ser escritor é sempre dar presentes, para todos, inclusive para si.
  É ser uma alma sensível, em meio a muitas outras, além disso, é mostrar sua sensibilidade. Ser escritor é se mostrar.
  É criar vida, por fim, personagens-pessoas que passam a habitar o nosso mundo, como se sempre estivessem existido, como se fossem nossos amigos, inimigos, amores e desamores.
  Enfim, ser escritor é ser criador.
  Criar vida da tinta, sentimento do papel. Tirar cor do branco e colorir a imaginação, com quem aceita compartilhar um novo mundo, um novo modo de ser.
  Ser escritor é muito mais do que encostar a caneta no papel e escrever.
  Ser escritor é sentir, viver, transmitir, mostrar, doar, amar, criar... 
  No final de tudo, ser escritor é ter a mente inquieta e tentar inquietar o que se encontra parado, sem vida... Ser escritor é renascer, transcender... É sempre renovar...
  

Da série: frase do dia

Ser escritor é, muitas vezes, a ideia parecer muito melhor na cabeça do que no papel.

domingo, 23 de julho de 2017

Cigana

  Olhara para dentro dos seus olhos e enxergara o que mais ninguém conseguia ver.
  O pedido de socorro que tanto escondera, por anos, uma vida inteira, maquiada com o rosto alegre e um sorriso no rosto que nunca se apaga... Mas os olhos... Ah, olhos... Esses não são fáceis de se enganar.
  Quem era aquela mulher que, em um contato tão superficial, conseguira ler por completo o seu ser. Tal qual uma cigana, que por ventura, consegue ler a sorte das pessoas, lera a sua falta de sorte, transvestida da tristeza que seus olhos não escondeu... Não para essa mulher...
  Quem é essa mulher?!
  Cigana misteriosa, que sempre me conhecerá, a fundo... E eu, nem uma centelha mínima do seu ser.
  Quem é esta mulher?!
  Eu, na minha simples ignorância de reles mortal, vou sempre imaginar... Mas nunca saber...

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Mais um dia na cidade

  Era mais um dia corriqueiro. Os dois atravessavam a rua. Até aí, nada demais. Era simplesmente um dia.
  O que, de repente, pode deixar um pouco mais interessante o fato é que, eles atravessaram, sim, a rua, mas de lados opostos. Isso já poderia ser um acontecimento que renderia o começo de uma história hollywoodiana, se eles se falassem, ou até melhor, se se esbarrassem, mas isso não aconteceu.
  Os dois atravessaram a rua, caminhos opostos, se olharam, é fato, mas não passou disso.
  Cada um seguiu o seu caminho.
  Mas não acabou por aí.
  Depois de um tempo, coloquemos aí meia hora, quem sabe? Os dois teriam que fazer o caminho oposto que fizeram e que ocasionou o primeiro encontro, e, depois de meia hora, na mesma rua, na mesma faixa de pedestre, no mesmo semáforo, já não na mesma luz, porque, com certeza, as luzes dos semáforos já devem ter acendido e apagado várias vezes, voltando, por assim dizer, para os seus lugares de origem, eles se encontraram, novamente, e como estavam fazendo o caminho de volta, estavam no lado oposto em que se encontravam no primeiro encontro. Ele no lugar dela e ela no lugar dele. E se cruzaram novamente, e os olhares. Isso, sim, seria o engate para o filme de Hollywood, mas não deu.
  Eles simplesmente se cruzaram, sorriso de canto de ambos, ela viu, por terem se reconhecido e percebido a coincidência. Mas somente atravessaram, se atravessaram e seguiram caminho. 
  Nasceu e morreu aí, uma pequena história de amor, que poderia ter sido e não foi, mas que, em algum universo paralelo, com certeza, aconteceu. Foi o que ele pensou. Pena não estar lá, completou ela, conversando consigo mesma.

O segredo de seus olhos

  Seus olhos, um vitral, o mais agradabilíssimo de se ver.   Seus olhos, um mistério, o que eu mais gostaria de entender.   Seus olhos,...