terça-feira, 3 de novembro de 2015

Processo

Na primeira vez que te vi
Confesso, não te enxerguei
Um par de óculos, palavras e nada mais

Na segunda vez, as coisas mudaram
Singelamente, suas palavras me pareciam
Muito mais belas. Era o começo

Na terceira vez, foi aí, te percebi
Sua voz, já me era melodia
E seu olhar, tornara-se leito, que eu repousaria...

Eternamente...

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A duplicidade do espelho

  Gabriela olhava atentamente para o espelho, com um bloco na mão, como que procurando por alguma coisa, inspiração. Queria escrever, sabia ela, só não sabia sobre o quê.
  Veio a ideia de escrever sobre o mundo todo diferente, que ela veria através do espelho. Um mundo ao contrário, tais quais as leis da física. Nada seria novo, pensou, afinal, quantas já não eram as histórias como esta que ela já não lera, um livro espelho... O mundo diferente do outro lado do vidro... O livro espelho.
  Como se fosse possível ler, um livro no espelho. Como se fosse possível ler um mundo inteiro, e pessoas, ler... Se sentiu invadida.
  Se ela tivera a ideia, que agora virara sinistra, de ler pessoas e o mundo pelo espelho, será que não estariam lendo seu mundo, sua pessoa ou coisa assim? Desespero!
  Pensou em quantas vezes ela poderia ter sido observada na intimidade de seu quarto, de seus pensamentos, de seu viver... O espelho diante se sua cama nunca a incomodara tanto em sua vida.
  A imagem que nele refletia, até então familiar, nunca parecera tão sarcástica, diabólica. Parecia manipulativa, com um olhar ligeiramente diferente do seu... Os olhares que se cruzavam e se acompanhavam... Eram os mesmos, mas eram diferentes... Era uma coisa muito louca e difícil de entender.
  Virou sua obsessão, o constante vigiar do espelho, só faltava saber quem vigiava quem. Ao olhar para o espelho, era sempre mesma pose, o olhar sempre fixo ao seu, era ela mesma, não era... Já não poderia dizer... Só podia sentir que não era mais ela... E então, quem era?!
  Isso a enlouquecia!
  Quando olhava no espelho, esta outra pessoa também olhava...
  Quando ela piscava, a outra pessoa também piscava...
  Quando ela anotava, a outra também anotava...
  E quando dormia, o que a outra fazia?
  Começou a viver um puro terror, com a sensação agoniante de estar sendo seguida. Quarto, sala, cozinha... Tudo a refletia.
  Quando saía de casa, nas janelas por aí espalhadas, nas poças de água que encontrava por aí... Inúmeras superfícies espelhadas dizendo: VOCÊ NÃO ESTÁ SÓ!
  Já não sabia mais para onde correr, não enxergava em nenhum lugar, um lugar seguro.
  Queria se esconder, não sabia como, não sabia onde, e eis que, de repente, já novamente na sua casa, decidira ir para o cômodo mais escuro, o mais abandonado, o sótão... Mas chegando lá, se pois a desmaiar.
  Pois não contava que lá encontraria um espelho e que nele viria, justamente, o que dera início a tudo isso...
  Ela vira no espelho, ela, Gabriela, olhando atentamente, com um bloco na mão, como que procurando algo... Como se fosse alguma coisa, para escrever...

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Encontro

Para Daniel Lima e Bruna Souto

Seus olhos estavam perdidos até encontrá-los
Eram distraídos.... Não viam muita coisa à frente
Andavam, aleatoriamente, entre idas e vindas
Entre milhares de pares de olhos que não se viam

De repente, alguma coisa mudou
O que outrora fora distraído, hoje já não é mais
Eles viam, te viam, num misto de castanho e verde
Que agora, passaram a ser olhar

Deste misto, deu-se o encontro de sentidos
Visão, audição, tato e paladar
Os castanhos já não eram mais sozinhos
Com os verdes, se tornou uma coisa só

Olhos Topázio... Olhos Safira

 Para Bruna, Daniel, Tamara, Leonardo e a pequena Lara (e de repente, para a Safira, também!)

  "Vamos colocar o nome dela de Safira..."
  " Mas o combinado não era a primeira ser Júlia?"
  "Sim, eu sei que era... Mas olha os olhinhos dela... Não tem como colocar outro nome!!!"

  E realmente... Os olhos eram muito azuis!

  - Tia, tiaaaaaaaa.... É verdade que quando a bebê nasceu, você e o tio colocaram pedrinhas no lugar dos olhos dela?! Verdaaaaaaaaaaade?!?! - perguntou a pequena menina, toda esbaforida
  - Mas de onde você tirou isso, Larinha?! - perguntou Tamara, sua mãe que conversava com Bruna, a tia da pequena Lara.
  - Sabe o que é, mamãe?! Eu falei para professora que a bebê Safira nasceu, mas eu disse que o nome diferente e eu não sabia que era... Aí... Aí... Ela me falou da pedrinha que é pedrinha azul bonita que parece o olho da bebê Bruninha Safira... E... E eu gostei, aí eu pensei que a tia Bruninha e o tio Dani tinha colocado pedrinha no olhinho.. Não colocou não?! - perguntou, sempre falando com aquela voz de criança, sempre lindinha e melodiosa...
  - Venha cá, dona Lara! - chamou o tio Daniel - primeiro me diz uma coisa...
  - Tá bom, tá bom, eu sei que é padinho Dani e não tio Dani...
  - Não era isso, mas, por que é bebê Bruninha e você nem falou de mim, como bebê Bruninha Dani?!
  - Ai, padinho... É porque ela é bebê menina, não bebê menino... Não pode ser bebê Dani... Eu sou quiança Tamara Lara... Porque a mamãe é menina igualzinha eu, e o papai é menino... Não posso ser quiança Leo!!!
  - É... Faz sentido... - concordou o padinho dando boas risadas.
  - Mas assim, o olhinho da Safirinha é a pedrinha azuzinha... Tem pedrinha na cor do meu olho marronzinho? Porque podia ser meu nome, também...- perguntou Lara, muito curiosa.
  - Ah...Tem o Topázio, pode ser marrom, né? - lembrou Leonardo.
  - É...Topázio?!?! Ahhh... Eu posso ter olho de topázio, mas o nome de Lara... É mais boniiiitinho assim, deixa?!
  E como os quatro, pais e tios, acenaram que sim com a cabeça, lá se foi Lara cuidar da sua preciosa Safirinha... Uma amizade que, desde cedo, já prometia ser promissora... E até foi... Mas essa é outra história!

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O Oceano no Fim do Caminho

  

  Tenho a necessidade de expor o que eu sentir ao ler este maravilhoso livro de Neil Gaiman que se chama O Oceano no fim do caminho. Para quem não conhece, Neil Gaiman é um maravilhoso e estupendo escritor, autor de Coraline (livro este que tem uma animação, também maravilhosa, encantadora, se bem que tem gente que fala que tem medo de filme) e Sandman, quadrinhos muito conhecidos no mundo nerd e que todo mundo adora muito, além de ter escrito episódios e contos para Doctor Who e se formos ficar falando de Neil Gaiman, não paramos mais, só precisamos saber de uma coisa: o cara é bom, e o que ele produz, é sensacional. 


  Uma coisa é importante saber, nosso querido autor já descrito no parágrafo acima, flertar muito com a fantasia, e é claro que, o livro que estamos falando agora, não poderia ficar atrás. É um livro de fantasia fantástica, com um quê de aventura, com outro quê de infância, lembranças perdidas e achadas, reflexões, enfim, um livro que entra no seu ser, e que deixa uma marca muito profunda. Tirando os detalhes de como era as pessoas, paisagens, descrições de eventos que parece fazer você pular dentro da história, e simplesmente começar a viver cada palavra que Neil Gaiman nos presenta ao nos contar os acontecimentos.

  A história nos fala de um homem de aproximadamente 40 anos, que, querendo fugir um pouco da realidade sufocante em que se encontra, velório do pai, além de uma aparente vida conturbada por emprego, divórcio, dentre outros acontecimentos, se vê indo para o local em que vivera na infância, o local de sua antiga casa, que, por não ser mais a mesma construção de sua infância, faz com que ele siga até o fim da estrada, reencontre o lago, e as moradoras de um antiga casa que tem lá... E isso faz desencadear uma série de lembranças, de acontecimentos confusos e fantásticos, história esta que sim, muita gente não acreditaria como sendo real, mas foi.

 
Com apenas 7 anos, solitário, viciado em livros e que se vê em meio a um suicídio, moedas que aparecem do nada, uma menina, um tanto misteriosa e diferente com quem ele desenvolve uma amizade, Lettie não só cuida dele, mas mostra um universo completamente diferente, misterioso, desconhecido, não somente dele, mas de praticamente todo o mundo, a não ser pela Lettie, sua mãe e sua vó, as Hempstocks. E, por essa visita na fazenda Hempstock, o menino se vê em problemas, uma vilã tenebrosa, eventos fantásticos, reflexivos, porque não dizer até que filosóficos, que faz com que você veja as coisas diferentes, e o que é mais interessante. Com um grande toque de magia.

É um universo a parte do nosso, que, como diria Shaskepeare, nossa vã filosofia não desconfiaria, situações, lugares e pessoas tão mágicas, que a única coisa que me passou pela cabeça enquanto eu estava lendo o livro era: Por que não fazem um filme deste livro?!?! Ficaria fantástico!!! É uma leitura altamente recomendada para quem quer se encantar, se aventurar e viver um pouco de mágica. E detalhe, um final muito emocionante, daqueles que você fica pensando: "tiraram alguma coisa de mim, estou com muita saudade!!!".

Neil Gaiman conseguiu ser intimista, sincero e profundo neste livro. É como se ele conseguisse pintar quadros com suas palavras, dando para imaginar exatamente o que acontece, como está o céu, a lua, a roupa, o comportamento das pessoas... Por vezes quadros, por vezes filme, que faz você entrar de tal maneira no enredo, que parece que te transporta, literalmente para dentro do livro. Uma série de eventos que, até chegou a me lembrar a história sem fim, na parte que Fantasia é tomada pelo Vazio, e a Lettie, que me faz me lembrar a pequena Ellie, de Up! Altas Aventuras, que faz com que dê essa sensação de magia, fantasia e infância, que tanto me fez bem, e espero que faz tanto bem para você também!!! Leitura super recomendada!!! Espero que gostem, até mais!


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Luz do teto e luz do chão

  Um dia, surpreendi a nossa querida dupla dinâmica, com vários gizes de cera, e ambos pintavam o céu. Lucas pintava o dia, Larissa, a noite, e como não era de se admirar, é claro que ambos passaram a conversar. Decidi não intervir, só observar, e eis que começaram-se as pérolas...
  - Meu céu está mais bonito que o seeu... - provocou Larissa, mostrando a língua para Lucas.
  - Ah, é  nada! O meu é mais bonito... Olha esse azul, e o sol, as nuvens de carneiro e algodão doce... E o seu, é só esse roxão todo aí, com esse monte de pingo aí... - respondeu Lucas, todo bravinho.
  - Ai, Lucas... É a noite, como você é bobo, e não é pinguinhos, são as estrelas!
  - Ué, e estrela é pingo, agora?! - questionou Lucas.
  - É... - hesitou a pequena - parece, né? Ô Lucas, vem cá? Por que tem céu escuro e céu claro, que a gente chama de dia e de noite? Alguém lá em cima brincou de desenhar que nem a gente, e desenhou o céu de usar de dia e o céu de usar de noite?
  - Não, eu acho que não, eu acho que isso tem coisa que é com a luz! - respondeu Lucas com a sua melhor cara de pensativo.
  - Luz, Luquinha? Como assim?
  - Ah, assim, você já percebeu que a luz do teto é  sempre mais forte do que a do abajur?
  - Sim, percebi! - respondeu Lari, solenemente.
  - Então - continuou Lucas - o sol é luz de teto e a luz, abajur!
  - Ah é?! E o que são as estrelas, então?! - perguntou Larisssa, já em um tom Bravo.
  - São mini abajurzinhos que estão procurando o abajur grandão que é a Lua...
  - Então, o céu, na verdade é escurão, sempre, mas de dia, ligam a luz do teto e de noite, ligam a luz do chão?! Porque a luz do chão é  bem menos forte do que a luz do teto....
  - É... Eu acho que é isso... Acho que precisamos pesquisar para descobrir... Vamos, convidou Lucas.
  É claro que eles vieram me perguntar sobre noite e dia, céu, sol, lua e estrela... Conversamos muito e eles ficaram maravilhados com a dança gira-gira da Terra, que explica a diferença do dia e da noite, mas não mudaram de ideia, o sol, é sim, a luz do teto, a mais forte de todas...
  Só queria saber o que eles vão querer fazer quando crescerem, esses dois se interessam por tudo, imoressionante... Estou pagando para ver...

sábado, 12 de setembro de 2015

Encontrando a Magia ao Luar

  

  Acredito que não poderia dar título melhor para este post do que este, porque, foi mais ou menos assim que me senti (é claro que eu não falo, literalmente, do nosso querido e amado luar, que, por si só, é mágico), mas o filme, foi um tanto quanto impressionante, e eu vou falar um pouco o porquê de ficar tão impressionada com este filme... Ah, para quem ainda não entendeu a referência, estou falando do filme Magia ao Luar de Woody Allen, e depois das devidas apresentações, acredito que ficou um pouco mais claro.

  Para quem costuma assistir aos filmes de Allen, sabe que vai encontrar pela frente, filmes reflexivos, altamente psicológicos, filosóficos e artísticos, o que muito me agrada, afinal de contas, os filmes não servem só para entretenimento, servem para nos causar emoções, pensamentos, suposições, mesmo que isso nos incomode, embora, este filme não tem me incomodado, muito pelo contrário, me satisfez,e muito... E vou falar o porquê!!!

  Primeiro, o filme conseguiu me apresentar um enredo que eu nem imaginava. Sim, pensava eu, em um filme romântico, e de certa forma, é... Mas, o filme abordou temas muito mais profundos, que eu nem fazia ideia que seriam abordados no filme. Claro, Woody Allen sempre faz isso conosco, nos faz pensar, sentir, aderir ao enredo das suas personagens, mas admito, não imaginei que este filme se enveredaria para este caminho que o enredo acabou percorrendo (e de maneira muito boa, diga-se de passagem).

  É que, o que me interessou no filme, é que ele acabou discutindo algo do ponto de vista psicológico-filosófico e que culminou em resultados muito interessantes, além de abordar conceitos de espiritualidade, crença e descrença e como isso pode interferir na personalidade das pessoas. É muito interessante o modo que ele aborda isso, embora deixe um pouco no ar que esse lance de espiritualidade, médiuns e tudo mais, são coisas de charlatões (eu não concordo com este ponto de vista, embora saibamos que existem muitos charlatões por aí).

Colin Firth se manteve brilhante em sua atuação como Stanley (Wei Ling Soo), um mágico "chinês" muito talentoso e que foi convidado a desvendar uma médium (possível charlatã), Emma Stone, que dizia ser sensitiva... Claro, não vou revelar muito do enredo, mas, o que eu posso dizer é que a química entre os dois funcionou muito bem e que a interação entre os dois, ficou admirável demais de ser ver, bem os opostos que se atraem, e de uma maneira muito sensível e delicada, apesar da falta de sensibilidade do personagem de Firth.

  Inclusive, é fantástico o sarcasmo de Stanley durante o filme (emoldurado pelo fantástico sotaque de Colin) e como, por vezes, ele consegue nos fazer rir, tamanha é a descrença nas coisas e nas pessoas que ele possui... Eu não quero estragar e entregar tudo de bandeja, o interessante é que todos vejam o filme, mas não deixem de assistir, é brilhante o filme, apesar de não ter tido tanto destaque como os últimos filmes de Woody Allen lançados, como Meia-Noite em Paris, Para Roma com Amor e Blue Jasmine! Vale muito a pena assisti-lo!!!

  E eu adorei o fato de Allen conseguir desenrolar um romance, que pode-se dizer mágico, em meio a tantas controvérsias e sacarmos e pontos de vista tão diferentes, que, teoricamente, tornaria impossível a aproximação de duas pessoas tão diferentes assim, mas funcionou e de maneira brilhante!!! A vida não é nada sem um pouco de magia, mesmo que você opte por acreditar só um pouquinho nela, mas vale a pena acreditar!!! Espero que todos que assistirem, gostem do filme e se sintam á vontade de comentar sobre ele aqui!!!


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Jogo da metáfora

Não escrevo porque tenho meta
Escrevo porque preciso colocar para fora
Sentimentos, pensamentos, dores e alegrias

Não escrevo da boca para fora
Meu sentimentos, sim, têm meta
Pretendem mostrar beleza, por muitos, esquecida

A beleza que enxergo assim vai para fora
Seguindo sua meta, emprestando vida  sonhos
Para as pessoas que se esqueceram-na em algum lugar

Coisas de criança, magia que se perdera
Vida escondida, reviver a delicadeza
Sonhos que tivemos, abandonar a atual aspereza

Jogar as antigas metas fora e buscar um novo caminho
Atingir as antigas metas, alcançar o infinito
Com olhos de criança, enxergar um mundo mais bonito

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Poesia

  Existe poesia em tudo, inclusive nas coisas que não se vê, pois a poesia consiste muito mais na beleza escondida, cabe a nós fazê-la aparecer.
  Não se faz poesia somente com palavras, embora seja esta, a forma mais comum (para os que não estão preparados) de aparecer.
  Há poesia no luxo e no lixo, nas fotografias e nos desenhos. No olhar e escondido na ponta daquele sorriso de canto e na gota da lágrima que teima, pelo rosto, escorrer.
  Existe poesia em cada vida, pensamento e sentimento, racional e irracional.
  Não está somente no arco-íris, está também na chuva. E não está somente no clima ameno que acaricia gentilmente a nossa pele. Está no sol escaldante do deserto e na maior das chuvas torrentes. Está no Grande Criador, se assim você acredita, mas, se não acredita, lá ela está, também, pois a poesia é uma centelha de vida, é aquilo que sempre está a nos inspirar.
  Ela é o conjunto das palavras mais bonitas, e também, aquelas que deixam a desejar. A poesia é tentativa e erro, e muito mais coisas, basta saber olhar.
  A poesia é o tudo e o nada, uma estrela a brilhar. Céu, luz, infinito. Universo e o que mais temos para encontrar.
  Ela está em mim, em você. E está em todo lugar... Se não viu, olhe bem, que um dia, você irá enxergar!

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O Pequeno Príncipe - O filme

 


  Olá, minha gente!!! Este é o meu bom e velho blog, como todos já conhecem, ou, se não conhecem, como ele sempre foi, mas, hoje, decidi dá uma nova guinada neste, que tenho muito apreço, pois é nele, que escrevo um pouco do meu modo de ver a vida. E a novidade que quero implementar são resenhas de filmes e livros que, por ventura, eu sentir vontade de escrever aqui. Pelo menos, os que ficarem pululando na minha cabeça... E, como hoje eu assisti ao filme "O Pequeno Príncipe", me sinto na obrigação, mais comigo mesmo, de escrever um pouco dele... Simplesmente deslumbrante. 

  Eu acredito que, quando se decidem fazer tais releituras, o risco que se corre é muito grande, pois, mexer com um grande clássico literário e mundial, não é nada fácil... A probabilidade de se estragar, pela comoção já causada nas pessoas é imensa, mas, com muita sorte, não é o que acontece com este brilhante filme. Sempre que eu faço uma resenha de um livro ou um filme, não gosto de colocar nenhum spoiler, mas, um pequinininho, é o aviador que narra a história do livro (juro que não vou falar mais nada, pelo menos eu vou tentar), e o filme, nos presenteia com várias surpresas...

  Como se percebe no trailer, o aviador vai intervir na vida de uma menininha, sua vizinha, tentando lhe dar um pouco de vida, a vida de verdade, ou pelo menos, vida para aqueles que não esquecem do que é essencial, que, por muitas vezes, é invisível aos olhos. Ele vai sensibilizá-la e contar a história de um pequeno menino que ele conhecera, que viera de um asteroide, que se deixara cativar por uma raposa, e quando coube sua ida, simplesmente foi... De maneira muito delicada e singela.

  Inclusive, as várias partes que constroem o filme, são muito delicadas e singelas, um verdadeiro desfile de emoções, que encanta desde os pequenos até os mais velhos (afinal de contas, fiquei super encantada com a simbologia empregada no filme, através de formas, cores e fluidez de acontecimentos) e que, se eu não parar de falar, vou acabar dando com a língua nos dentes e falando demais, mas sério, umas das coisas que mais me chamou a atenção, foi essa extrema inteligência em como disponibilizaram os itens, cenários e pessoas no filme.

  É encantador, mas também, tudo culpa de Antoine de Saint-Exupéry, que fez um livro divino, muito mais que um livro infantil, é um livro filosófico, espiritual, não no sentido de religiosidade, mas transcendental, por um estilo de vida. O cuidado, o carinho, o respeito que se deve ter, não somente por si mesmo, mas por todos que te cercam e te cativam, afinal, tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas, e o filme, conseguiu muito bem fazer isto... Saí muito mais leve do cinema depois te ter visto o film... E se eu fosse vocês, eu não perderia, nem em sonhos...

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Andorinhas

  E depois de tanto tempo, me peguei pensando em você.
  Não era um bom dia, e não sei bem o porquê, mas me bateu uma saudade, de uma coisa que sei, é impossível. Da convivência um tanto conturbada, mas que por um momento, me faltou ao coração.
  Só pensava que poderia te ver. De repente, para me emprestar uma calam que no momento me é necessária, mas que por diversos fatores, escapam pelos meus dedos, tal qual a areia, escoam pelo vão.
  Senti falta de sua atenção, por vezes, provocações. Da admiração que eu sentia sobre, acho que mais do que você era, do que poderia ser, meu, mas não poderia, e nem será.
  Da calma que você me transmitia ao falar, conhecimento, também.
  É tão estranho pensar em você agora, porque, do jeito que fala, parece até que você morreu... E de certa maneira, morreu... Continua vivo, mas longe de mim, você não existe mais... Para mim...
  E por isso que hoje me vem você no meu pensamento e posso dizer que isso me dói.., Uma falta doída, por sentir saudade de você, de suas palavras, do seu jeito, do que poderia ser, mas que nunca será.
  Sentir saudade de você, é sentir saudade do que foi e do que eu gostaria que fosse e sei, nunca poderá ser... É estranho, vejo andorinhas através da minha janela.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

As folhas do caderno

Para o caderno que neste ano, me suportou bastante, basta saber se este suportou é de dar suporte ou de suportar.

Para a última folhado meu caderno
Ofereço o meu profundo agradecimento
Por aguentar os meus dias felizes e profundos lamentos
Muitos escritos, letras, rabiscos e uma profusão de sentimentos

Por ter chegado aqui... Quanta coisa escrevi
Quantos momentos vivi
Quantas coisas registrei....
E o melhor, quantas coisas imaginei

Porque um caderno é um registro de vida
Por mais que seja um caderno específico
Exercícios? Receita? Um diário? Não interessa, é vida
Pedaços do seu ser, registrado em papéis, em ordem

E eis que chego à última página
O fim que precede um novo começo
Recomeço, novos registros, novos pedaços de vida
A escrita, a ideia, o sentimento, a existência...

Novos pedaços de vida
Que nos torna um só
Vida através da escrita
Vida através de um respiro

Vida que respira e transpira
Que sangra e que escorre
Desejos, letras, contas ou lições
Explicam tudo que vai m nossos corações.

sábado, 22 de agosto de 2015

"Vida de vivo de novo"

tempo     tempo     tempo     tempo     tempo      tempo
grão          grão           grão          grão          grão
gota          gota         gota          gota
perda          perda         perda
vida          vida
fim
fim
fim
fim
fim
percepção   percepção
mudança   mudança   mudança
recomeço  recomeço  recomeço  recomeço
vida            vida           vida            vida            vida 
vida viva de novo vida viva de novo vida viva de novo vida 

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Se eu te encontrasse

Se eu te encontrasse, não se o que faria
Não se sei chorava, não sei se sorria
Faz tanto tempo que não te vejo que penso
Será que te esqueci, não faz mais parte do meu desejo?

Se eu te encontrasse, nem sei que pensaria
Não sei se se trataria de um dia de sol, ou se choveria
Não sei se ainda te quero, ou por ti sinto encanto
Será que tornaste assim, o mais puro desencanto?

Pois é, te vi,  engraçado, algo senti
Não era a tristeza de outrora
Ou o amor que porventura vivi

Senti uma imensa saudade
Do tamanho que nem imaginava sentir
Queria você de volta e nunca mais te ver partir

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

As seções

  A primeira coisa que eu pensei quando eu o vi foi: "era para termos algo em comum?". E depois, me questionei o porquê pensei isso.
  Eu o vi na livraria, meu lugar preferido do mundo, todas elas, e, em uma das inúmeras vezes que eu entrei em uma das inúmeras livrarias, eu o vi. Eu estava na seção do mistério.
  Analisei e percebi que eu não tenho nada a ver com ele, e pensei que de repente, eu deveria ter, acho que na verdade, queria ter.
  Pois vejam, ou sou maluca, e eu acho que poderia dizer, até demais, com os meus óculos roxos, o meu jeans batido e uma camiseta preta de estampa colorida.
  Ele, cabelo anelado, mas bem penteado, uma calça social, camisa azul,, os óculos, pretos. O que ele teria a ver comigo?
  O instante que eu o observei, foi muito diminuto. Um flash, um lance, um olhar. O suficiente para me fazer pensar, por segundos, ainda mais porque ele não me viu. Queria eu ter sido vista por ele?
  Comecei a andar, aleatoriamente, pelas seções que nos separavam, passando pelas áreas de ficção, fantasia, imaginando que ele estaria passando por administração, negócios, contabilidade... E nas minhas andanças pelos corredores, topei com alguém, em qual seção? A do romance.
  Topei e na minha frente vi, o par de óculos pretos. E o mistério se desvaneceu... As diferenças, sim, existem, mas o romance aconteceu.
   

domingo, 2 de agosto de 2015

A síndrome do papagaio

  A família tinha um papagaio. Até aí, nada de novo, muitas famílias têm. Mas, o que ninguém esperava, era que tal evento acontecesse, ainda mais dessa maneira.
  - Mãe, o papagaio do Luiz falou!!! - disse a pequena Alice, de apenas 4 anos.
  - Mas é normal isso, minha filha. - respondeu a mãe, como o fato de o papagaio falar, fosse a coisa mais normal do mundo - mas quem disse que o nosso papagaio é só do Luiz?
  - Mas mãe, o Luiz está falando igualzinho o papagaio. - falou Alice admirada.
  E de fato, Luiz soltava os "curupacos" e assobios característicos de um papagaio, e percebia-s que, por mais que ele tentasse, estas eram as únicas coisas que ele conseguia emitir. Voltou-se a atenção para o papagaio, o bicho de verdade.
  Viu-se que o papagaio apresentava um traquejo tão grande a falar, que até dava para acreditar que ele era praticamente um ser humano travestido de papagaio. O engraçado, para não se dizer trágico, é que tal evento, que nesta altura do campeonato já durava dias, foi chamando cada vez mais a atenção. Os vizinhos todos comentavam, e o conhecido do irmão do primo do outro vizinho que tinha um amigo cientista, fizeram que tal informação chegasse a ele. E ele se pôs a observar.
  E foi observando que, ao mesmo tempo que Luiz se repetia cada vez mais como um papagaio, mais o papagaio raciocinava, e até apresentava um certo grau de sensibilidade, que já não era visto em muitos humanos, hoje em dia. 
  Era como se Luiz e o papagaio tivessem sido submetidos a uma experiência, para ver o quanto um humano poderia influenciar um papagaio, mas, na verdade, aconteceu exatamente o contrário, ou até mesmo, uma troca de personalidades.
  Percebeu-se que, com o passar do tempo, Luiz ia imitando cada vez mais seu papagaio, palavras soltas e sem sentido, desumanizadas, sem profundidade.
  Mas o cientista foi além, não se ateve somente a observar o menino, mas sim, as pessoas a sua volta.
  Nas suas observações, ele pode constatar que não era somente este o único a se pronunciar com palavras vazias, repetitivas e sem profundidade. A maioria das pessoas que o cercavam, talvez com a única exceção da pequena Alice, se comportavam de maneira semelhante, bem rasas, sem emoções, somente proferindo tais palavras, sem profundidade nenhuma, simplesmente repetindo pequenas expressões de praxe, que não serviam para quase coisa nenhuma.
  Foi aí que o cientista se deu conta que não se tratava de uma aparente troca de personalidade que ocorrera aí, o diagnóstico era maior e mais grave: superficialidade e tendências animalísticas, se é que poderia se chamar assim, porque, o que se constatava era uma "desevolução" causada, talvez pelas facilidades, mordomias e auto privação de algum sentido de vida, que de repente, pode ser chamado de preguiça de ser e pensar, que até os animais parecem mais "humanos" do que as próprias pessoas.
  Tem jeito?! Sabe-se lá... Mas acontece que parece contagioso. Seres humanos que apenas reproduzem sons, sem ideias, sem vida, sem sentido... E por enquanto, não se encontrou cura... Quer dizer, existir a cura existe, mas...

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Procuram-se Vanessas pra falar de amor


   Procuram-se Vanessas pra falar de AMOR!
  É um belo caso de oração subordinada adverbial final (com um ligeiro desvio de norma culta).
  Uma frase que, sintaticamente analisada, pode não dizer muita coisa, mas... E se encontrada em um poste, impressa em um papel branco, com letras pretas, simples, o que quer dizer?! (Detalhe: não qualquer poste, mas um poste na Avenida Paulista, com certeza não só eu veria, mas meu nome não é Vanessa).
  Quem procura amor? E por que Vanessas?! Só se pode falar de amor com Vanessas?! Ou foi simplesmente uma Vanessa de um dia, ou noite, qualquer marcou e ficou (mas se marcou, por que não pegou o contato?).
  Mas penso, o que se passa na cabeça das pessoas e das Vanessas ao ver tal coisa?!
  Será que alguma Vanessa vai se compadecer e ligar?! (é, mas vai ter que pagar interurbano, o DDD é 48).
  Será que alguém vai pensar que é um despautério tal anúncio?
  Será isso mesmo um anúncio e não só uma brincadeira?
  Alguém realmente está procurando o amor?! Mas, por que restringir o amor só às Vanessas, se Marias, Cecílias, Helenas, Clarices, etc, também podem amar....
  Procuram-se VANESSAS pra falar de amor!
  Vanessas, por favor, liguem... Não deixem passar assim, um pedido de alguém que quer falar de amor... Ou de repente, até mesmo, amar...

terça-feira, 28 de julho de 2015

Palavras palavrísticas

  - Sabe o que eu queria entender, Pedro? Queria entender o que é uma palavra...
  - Ué, como assim, Lucas?
  - Assim, eu sei que a palavra é uma coisa e que dá nome pras coisas e que ela também é formada de letras, que juntinhas formam uma palavra que significa uma coisa e que essa coisa é forma de palavra, que é formada de letra e eu acho que eu me perdi... - disse Lucas sem ar.
  - Calma, baixinho, pensa direito no que você quer falar...
  - Então, eu queria saber como as palavras cabem na nossa cabeça, porque a gente aprende elas na escola, e depois que aprende, elas nunca mais sai da nossa cabeça e até a gente vê toda hora, mesmo quando não está na escola... É como se tivesse um botão liga/desliga, só que liga e não desliga nunca mais, mas, se você conversa com alguém que não consegue ler, para ela, não faz sentido nenhuma das letrinhas, nem palavras... Mas assim, as palavras no olho, porque, as do ouvido funciona, mas aí não tem letra é só musiquinha de palavra, e...
  - Você não respira, não, menino? - falei admirado.
  - Ah Pedro, eu respiro, mas é que as ideias estão na minha cabeça e eu tenho que falar logo antes que elas fujam... - falou Lucas, dando um suspiro - mas enfim, o que é uma palavra, Pedro?
  - Então, Luquinha... A palavra é...
  - Ah, já sei! A palavra mora no nosso olho, no nosso ouvido e na nossa cabeça de maneiras diferentes, primeiro aprendemos as palavras ouvidísticas, depois, as cabecísticas e sóóóóóóóó depois, aprendemos as olhísticas. - falou Lucas com cara de sabichão.
  E essa conversa foi longe, eu que um dia pensei que meu irmão poderia ser um biólogo, me enganei, acho que ele será um linguista de palavras palavrísticas.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O livro preferido

  Todos os dias eu pego o ônibus.
  E comigo, uma menina.
  Na verdade, não era bem comigo, ela simplesmente estava lá, todos os dias, e eu a observava.
  Observava porque ela sempre tinha por companhia, um livro, e parecia que não precisava de mais nada em sua vida, do que aqueles livros.
  Era interessante, ela ria e por vezes chorava. Seu semblante sempre acompanhava as emoções, que eu suponha, o livro transmitia.
  Ela nunca estava sozinha, e por consequência, eu também não estava, pois, se por companhia ela tinha seus livros preferidos para ler, eu também não estava, pois ela era o meu livro preferido... E que com muita admiração e prazer, eu lia.

Reticências

  O que seria da minha vida sem palavras.
  Não poderia pensar, nem respirar e nem viver.
  Dependeria de uma sobrevida que não me completaria.
  Sem graça, sem ar, sem alimento, sem vida.
  Pois as palavras bailam na minha cabeça e se transformam no ar que respiro, no alimento que me serve e na luz que me ilumina.
  As palavras são minhas guias e todas juntas são meu prumo.
  Algo necessário, indispensável, insubstituível.
  São elas que me dominam e são elas que me libertam.
  São elas que me intimidam e também me inspiram.
  São elas que me impulsionam a viver mais um dia.
  Elas são o que eu sou pois me traduzem.
  Me liberto, vivo e me vejo em palavras.
  Ela me traduz e me mostra ao mundo.
  E me mantém inacabada, pois sou um livro que ainda não se acabou...
  Em palavras...

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Sinônimos e antônimos

  Para Alê pai e o Alê filho

  Eu sei, as minhas memórias são todas misturadas, mas na verdade, de quem não é?
  Acredito que na cabeça de ninguém as memórias se apresentam de maneira linear, mas enfim, filosofias à parte... Falemos do que eu estou querendo falar....
  Não lembro bem da idade dos pequenos, mas eu achava muito engraçado a maneira como eles falavam. Na verdade, eu acho que deviam fazer um livro com o jeito que esses pentelhinhos falam, é muito bom... Eles simplesmente ligam com algum exemplo que eles ouvem, e aplicam a tudo. É como quando eles falam "di" ou "sabo"... Mas os meus pentelhos, ah... Sempre inovam.... Fiquei só observando a conversa dos dois:
  - Sabe, Lucas... Acho que a gente precisa desmolhar a água do chão... A gente pode levar bronca...
  - É verdade, Lari. - respondeu Lucas muito sério. 
  Imaginem só, desmolhar a água... De onde tiraram isso?!?! Mas não pararam por aí...
  - Mas vamos, Luquinha... A gente precisa desaumentar o tamanho dessa água, ela está ficando muito grande!!!
 - Desaumentar, Larissa?! Se ela está ficando muito grande, não é desaumentar a água, é desgrandar...
 - Desgrandar?! E se quiser parar de deixar pequeno é despequenar?!
 - Ô Peeeeeeeeeeeedro!!!!! - os dois gritaram.
  Aí foi um rolo só de desaumentar, despequenar, desmolhar... Uma confusão só....
  Tive que dá uma aula de gramática para eles, mas eu garanto, a gramática dessa dupla dinâmica é muito mais divertida.
  Eu voto para se escrever a gramática desses dois pequenos... De repente, até eu poderia ter escrito... Será que ainda consigo?!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O par de brincos

Para Ana Rosa

Ainda tenho aquele par de brincos
Ganhado em outrora, em um passado longínquo
Símbolo de amor... Tão puro... Tão limpo.

Ainda tenho aquele par de brincos...
Os brincos e hoje, a lembrança da pessoa que você foi
E da pessoa que você ainda é...

Mesmo distante, ainda permanece o amor
Que não diminui, quem sabe só aumenta
O contato, é quase nulo, mas o sentimento?

Ah o sentimento... Sobreviverá para sempre...
Um amor puro, não se perde assim
Você é importante, e sempre será, e mesmo distante na minha vida, você permanecerá.

terça-feira, 7 de julho de 2015

A volta ou Apenas uma reflexão ou O poder da palavra

  As palavras já não fluem da mesma maneira que fluíam antigamente. Eu simplesmente me habituei a não escrever mais.
  Mas o problema não é não escrever mais, pois, não escrevendo mais, me privo de muita coisa.
  De um desabafo, de um sentimento, de emoção.
  Não que eu não sinta mais ou não tenha mais emoção, mas eu não transmito e assim, também não transbordo mais. 
  Há um tempo, muito e muito remoto, me acostumei a transbordar notas e silêncios, infinitas cores, mais coloridos que o arco-íris, através de minhas palavras, e me desacostumei a fazer isso.
  Pobres são as minhas antigas palavras que foram abandonadas por tão vil dona, pois, sendo abandonadas, foram privadas de música, de cor, de vida. Palavras não se sustentam sozinhas, não sem um dono, e, por que fechar tão singela beleza de suas sílabas, encontros, sons e cores?! Por que não emprestar vida para as palavras?!
  Que se entoem músicas, para os olhos que querem ouvi-la, e o mais colorido céu ou terra ou cenário que se queira desenhar!
  Que se empreste, novamente, a magia, do bater da tecla ou do arrastar do grafite.
   E que se teça o mais belo esplendor de beleza jamais antes vista... Através de música, através de cor... Através de... Palavras...

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Lucas e Lari através do espelho

  Um dia percebi que Lucas e Larissa olhavam muito para o espelho. Assim, insistentemente, mesmo. Passei a observá-los, claro, pois, conhecendo bem essa dupla, certeza de que alguma coisa estaria por vir.
  Depois de passarem um bom tempo observando, começaram a conversar:
  - Por que será que olhamos para o espelho e aparece lá do outro lado uma pessoa igual a gente?  - perguntou Larissa.
  - Não, não é igual... As pessoas do outro lado estão ao contrário. - falou Lucas, pensativo.
  - Mas, olha... Elas fazem tudo o que fazemos, igualzinho.- e Larissa começou a dançar na frente do espelho - será que tem cordinhas que ligam a gente com eles? - Larissa indagou curiosa.
  - Será que do lado de lá é outro mundo? Assim, tem tudo lá... Sofá, mesa, a televisão... Tudinho... Olha lá a porta... E o cachorro...
  - Nossa, isso dá até medo, Luquinha! - falou Larissa amedrontada.
  - Já pensou se as pessoas do lado de lá viessem para cá? - falou Lucas cheio de expectativa.
  - Ai... Para Lucas... Estou com medo... - disse Larissa chorosa.
  - Ah, não precisa ficar com medo, Lari!
  - E como não?! Você falou que as pessoas lá são ao contrário, então, se elas são ao contrário, a Larissa e o Lucas ao contrário são maus...
  - Não... Você não entendeu, não é o sentimento, é eles... Eles devem é... Hum... É andar de costas pra ir pra frente e de frente para ir pra trás...
  - E o cachorro, ao invés de latir, ele mia...
  - É... Pode ser... E quando eles caem... Eles caem pra cima...
  - Deve ser engraçado essa, Luquinha... E se a gente entrasse lá, faríamos isso também?
  - Ah... Acho que não, porque aí a gente é do lado não contrário...
  - Ah! Que pena! - falou Larissa tristonha.
  E continuaram olhando o espelho.
  Vai saber o que se passava na cabeça desses dois... Será que se passava por elas as aventuras à la Alice através do Espelho? Será que imaginavam pessoas voando, os lados opostos, andando como Curupira e outras coisitas mais?
  Eu mesmo fiquei imaginando se tudo seria ao contrário, se o doce era o azedo, se o salgado era amargo... Se o duro era macio e outras coisas mais...
  Acho que tenho uma pequena Alice em sua versão masculina, que me arrasta para o país das Maravilhas... Minha máquina do tempo, revivo minha infância e assim, tenho uma felicidade pura, novamente.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Somente um desabafo ou A teoria do medo

  Há tempos eu não escrevo... Isso me incomoda...
  Não sei se desaprendi a escrever ou se desaprendi a poetizar...
  Sinto que eu não consigo mais passar para as palavras, ou melhor, resgatar delas, a parte mais bela que elas possuem... E isso, isso com certeza, me incomoda...
  Mas, o meu grande medo é que, às vezes penso que, esse simples fato de não escrever mais, não é por somente eu não saber mais escrever ou poetizar... De repente, eu desaprendera a sentir... E eu não quero ser uma pessoa que não sinta nada, pois sinto falta de escrever, sinto falta de poetizar...
  Sinto falta de me exprimir e resumir em palavras, me traduzir em textos, me ver na poesia. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Metalinguagem

  Quem acredita que escrever é meramente escolher palavras e dispô-las entre o parágrafo inicial e o ponto final, engana-se profundamente.
  Escrever é mais a escolha de sentimentos e modos de se ver do que apenas palavras.
  Escrever é preencher de sentido, as palavras aleatórias que vem à cabeça.
  Se não tem sentido, sentimento, não, você não é escritor, nem muito menos poeta.
  É simplesmente um escrevedor.
  Para escrever de verdade, usa-se o sangue e o suor como tinta, o clamor e o ardor como aparato, a vida como papel.
  Não... Não são simplesmente palavras jogadas.
  Escrever é vida, escrever é paixão.
  Não é lucro, nem dinheiro.
  É desabafo... É confissão...
  Feche os meus escritos se não é dotado de tais sentimentos...
  Isso não é meu trabalho, é minha absolvição!

O Retrato

  Era um olhar encantador.   Uma candura na forma de rosto de menina, de mulher, que conseguia esconder bem, todos os seus segredos. Era ...