quarta-feira, 29 de julho de 2015

Procuram-se Vanessas pra falar de amor


   Procuram-se Vanessas pra falar de AMOR!
  É um belo caso de oração subordinada adverbial final (com um ligeiro desvio de norma culta).
  Uma frase que, sintaticamente analisada, pode não dizer muita coisa, mas... E se encontrada em um poste, impressa em um papel branco, com letras pretas, simples, o que quer dizer?! (Detalhe: não qualquer poste, mas um poste na Avenida Paulista, com certeza não só eu veria, mas meu nome não é Vanessa).
  Quem procura amor? E por que Vanessas?! Só se pode falar de amor com Vanessas?! Ou foi simplesmente uma Vanessa de um dia, ou noite, qualquer marcou e ficou (mas se marcou, por que não pegou o contato?).
  Mas penso, o que se passa na cabeça das pessoas e das Vanessas ao ver tal coisa?!
  Será que alguma Vanessa vai se compadecer e ligar?! (é, mas vai ter que pagar interurbano, o DDD é 48).
  Será que alguém vai pensar que é um despautério tal anúncio?
  Será isso mesmo um anúncio e não só uma brincadeira?
  Alguém realmente está procurando o amor?! Mas, por que restringir o amor só às Vanessas, se Marias, Cecílias, Helenas, Clarices, etc, também podem amar....
  Procuram-se VANESSAS pra falar de amor!
  Vanessas, por favor, liguem... Não deixem passar assim, um pedido de alguém que quer falar de amor... Ou de repente, até mesmo, amar...

terça-feira, 28 de julho de 2015

Palavras palavrísticas

  - Sabe o que eu queria entender, Pedro? Queria entender o que é uma palavra...
  - Ué, como assim, Lucas?
  - Assim, eu sei que a palavra é uma coisa e que dá nome pras coisas e que ela também é formada de letras, que juntinhas formam uma palavra que significa uma coisa e que essa coisa é forma de palavra, que é formada de letra e eu acho que eu me perdi... - disse Lucas sem ar.
  - Calma, baixinho, pensa direito no que você quer falar...
  - Então, eu queria saber como as palavras cabem na nossa cabeça, porque a gente aprende elas na escola, e depois que aprende, elas nunca mais sai da nossa cabeça e até a gente vê toda hora, mesmo quando não está na escola... É como se tivesse um botão liga/desliga, só que liga e não desliga nunca mais, mas, se você conversa com alguém que não consegue ler, para ela, não faz sentido nenhuma das letrinhas, nem palavras... Mas assim, as palavras no olho, porque, as do ouvido funciona, mas aí não tem letra é só musiquinha de palavra, e...
  - Você não respira, não, menino? - falei admirado.
  - Ah Pedro, eu respiro, mas é que as ideias estão na minha cabeça e eu tenho que falar logo antes que elas fujam... - falou Lucas, dando um suspiro - mas enfim, o que é uma palavra, Pedro?
  - Então, Luquinha... A palavra é...
  - Ah, já sei! A palavra mora no nosso olho, no nosso ouvido e na nossa cabeça de maneiras diferentes, primeiro aprendemos as palavras ouvidísticas, depois, as cabecísticas e sóóóóóóóó depois, aprendemos as olhísticas. - falou Lucas com cara de sabichão.
  E essa conversa foi longe, eu que um dia pensei que meu irmão poderia ser um biólogo, me enganei, acho que ele será um linguista de palavras palavrísticas.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O livro preferido

  Todos os dias eu pego o ônibus.
  E comigo, uma menina.
  Na verdade, não era bem comigo, ela simplesmente estava lá, todos os dias, e eu a observava.
  Observava porque ela sempre tinha por companhia, um livro, e parecia que não precisava de mais nada em sua vida, do que aqueles livros.
  Era interessante, ela ria e por vezes chorava. Seu semblante sempre acompanhava as emoções, que eu suponha, o livro transmitia.
  Ela nunca estava sozinha, e por consequência, eu também não estava, pois, se por companhia ela tinha seus livros preferidos para ler, eu também não estava, pois ela era o meu livro preferido... E que com muita admiração e prazer, eu lia.

Reticências

  O que seria da minha vida sem palavras.
  Não poderia pensar, nem respirar e nem viver.
  Dependeria de uma sobrevida que não me completaria.
  Sem graça, sem ar, sem alimento, sem vida.
  Pois as palavras bailam na minha cabeça e se transformam no ar que respiro, no alimento que me serve e na luz que me ilumina.
  As palavras são minhas guias e todas juntas são meu prumo.
  Algo necessário, indispensável, insubstituível.
  São elas que me dominam e são elas que me libertam.
  São elas que me intimidam e também me inspiram.
  São elas que me impulsionam a viver mais um dia.
  Elas são o que eu sou pois me traduzem.
  Me liberto, vivo e me vejo em palavras.
  Ela me traduz e me mostra ao mundo.
  E me mantém inacabada, pois sou um livro que ainda não se acabou...
  Em palavras...

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Sinônimos e antônimos

  Para Alê pai e o Alê filho

  Eu sei, as minhas memórias são todas misturadas, mas na verdade, de quem não é?
  Acredito que na cabeça de ninguém as memórias se apresentam de maneira linear, mas enfim, filosofias à parte... Falemos do que eu estou querendo falar....
  Não lembro bem da idade dos pequenos, mas eu achava muito engraçado a maneira como eles falavam. Na verdade, eu acho que deviam fazer um livro com o jeito que esses pentelhinhos falam, é muito bom... Eles simplesmente ligam com algum exemplo que eles ouvem, e aplicam a tudo. É como quando eles falam "di" ou "sabo"... Mas os meus pentelhos, ah... Sempre inovam.... Fiquei só observando a conversa dos dois:
  - Sabe, Lucas... Acho que a gente precisa desmolhar a água do chão... A gente pode levar bronca...
  - É verdade, Lari. - respondeu Lucas muito sério. 
  Imaginem só, desmolhar a água... De onde tiraram isso?!?! Mas não pararam por aí...
  - Mas vamos, Luquinha... A gente precisa desaumentar o tamanho dessa água, ela está ficando muito grande!!!
 - Desaumentar, Larissa?! Se ela está ficando muito grande, não é desaumentar a água, é desgrandar...
 - Desgrandar?! E se quiser parar de deixar pequeno é despequenar?!
 - Ô Peeeeeeeeeeeedro!!!!! - os dois gritaram.
  Aí foi um rolo só de desaumentar, despequenar, desmolhar... Uma confusão só....
  Tive que dá uma aula de gramática para eles, mas eu garanto, a gramática dessa dupla dinâmica é muito mais divertida.
  Eu voto para se escrever a gramática desses dois pequenos... De repente, até eu poderia ter escrito... Será que ainda consigo?!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O par de brincos

Para Ana Rosa

Ainda tenho aquele par de brincos
Ganhado em outrora, em um passado longínquo
Símbolo de amor... Tão puro... Tão limpo.

Ainda tenho aquele par de brincos...
Os brincos e hoje, a lembrança da pessoa que você foi
E da pessoa que você ainda é...

Mesmo distante, ainda permanece o amor
Que não diminui, quem sabe só aumenta
O contato, é quase nulo, mas o sentimento?

Ah o sentimento... Sobreviverá para sempre...
Um amor puro, não se perde assim
Você é importante, e sempre será, e mesmo distante na minha vida, você permanecerá.

terça-feira, 7 de julho de 2015

A volta ou Apenas uma reflexão ou O poder da palavra

  As palavras já não fluem da mesma maneira que fluíam antigamente. Eu simplesmente me habituei a não escrever mais.
  Mas o problema não é não escrever mais, pois, não escrevendo mais, me privo de muita coisa.
  De um desabafo, de um sentimento, de emoção.
  Não que eu não sinta mais ou não tenha mais emoção, mas eu não transmito e assim, também não transbordo mais. 
  Há um tempo, muito e muito remoto, me acostumei a transbordar notas e silêncios, infinitas cores, mais coloridos que o arco-íris, através de minhas palavras, e me desacostumei a fazer isso.
  Pobres são as minhas antigas palavras que foram abandonadas por tão vil dona, pois, sendo abandonadas, foram privadas de música, de cor, de vida. Palavras não se sustentam sozinhas, não sem um dono, e, por que fechar tão singela beleza de suas sílabas, encontros, sons e cores?! Por que não emprestar vida para as palavras?!
  Que se entoem músicas, para os olhos que querem ouvi-la, e o mais colorido céu ou terra ou cenário que se queira desenhar!
  Que se empreste, novamente, a magia, do bater da tecla ou do arrastar do grafite.
   E que se teça o mais belo esplendor de beleza jamais antes vista... Através de música, através de cor... Através de... Palavras...

O segredo de seus olhos

  Seus olhos, um vitral, o mais agradabilíssimo de se ver.   Seus olhos, um mistério, o que eu mais gostaria de entender.   Seus olhos,...