terça-feira, 25 de agosto de 2015

As folhas do caderno

Para o caderno que neste ano, me suportou bastante, basta saber se este suportou é de dar suporte ou de suportar.

Para a última folhado meu caderno
Ofereço o meu profundo agradecimento
Por aguentar os meus dias felizes e profundos lamentos
Muitos escritos, letras, rabiscos e uma profusão de sentimentos

Por ter chegado aqui... Quanta coisa escrevi
Quantos momentos vivi
Quantas coisas registrei....
E o melhor, quantas coisas imaginei

Porque um caderno é um registro de vida
Por mais que seja um caderno específico
Exercícios? Receita? Um diário? Não interessa, é vida
Pedaços do seu ser, registrado em papéis, em ordem

E eis que chego à última página
O fim que precede um novo começo
Recomeço, novos registros, novos pedaços de vida
A escrita, a ideia, o sentimento, a existência...

Novos pedaços de vida
Que nos torna um só
Vida através da escrita
Vida através de um respiro

Vida que respira e transpira
Que sangra e que escorre
Desejos, letras, contas ou lições
Explicam tudo que vai m nossos corações.

sábado, 22 de agosto de 2015

"Vida de vivo de novo"

tempo     tempo     tempo     tempo     tempo      tempo
grão          grão           grão          grão          grão
gota          gota         gota          gota
perda          perda         perda
vida          vida
fim
fim
fim
fim
fim
percepção   percepção
mudança   mudança   mudança
recomeço  recomeço  recomeço  recomeço
vida            vida           vida            vida            vida 
vida viva de novo vida viva de novo vida viva de novo vida 

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Se eu te encontrasse

Se eu te encontrasse, não se o que faria
Não se sei chorava, não sei se sorria
Faz tanto tempo que não te vejo que penso
Será que te esqueci, não faz mais parte do meu desejo?

Se eu te encontrasse, nem sei que pensaria
Não sei se se trataria de um dia de sol, ou se choveria
Não sei se ainda te quero, ou por ti sinto encanto
Será que tornaste assim, o mais puro desencanto?

Pois é, te vi,  engraçado, algo senti
Não era a tristeza de outrora
Ou o amor que porventura vivi

Senti uma imensa saudade
Do tamanho que nem imaginava sentir
Queria você de volta e nunca mais te ver partir

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

As seções

  A primeira coisa que eu pensei quando eu o vi foi: "era para termos algo em comum?". E depois, me questionei o porquê pensei isso.
  Eu o vi na livraria, meu lugar preferido do mundo, todas elas, e, em uma das inúmeras vezes que eu entrei em uma das inúmeras livrarias, eu o vi. Eu estava na seção do mistério.
  Analisei e percebi que eu não tenho nada a ver com ele, e pensei que de repente, eu deveria ter, acho que na verdade, queria ter.
  Pois vejam, ou sou maluca, e eu acho que poderia dizer, até demais, com os meus óculos roxos, o meu jeans batido e uma camiseta preta de estampa colorida.
  Ele, cabelo anelado, mas bem penteado, uma calça social, camisa azul,, os óculos, pretos. O que ele teria a ver comigo?
  O instante que eu o observei, foi muito diminuto. Um flash, um lance, um olhar. O suficiente para me fazer pensar, por segundos, ainda mais porque ele não me viu. Queria eu ter sido vista por ele?
  Comecei a andar, aleatoriamente, pelas seções que nos separavam, passando pelas áreas de ficção, fantasia, imaginando que ele estaria passando por administração, negócios, contabilidade... E nas minhas andanças pelos corredores, topei com alguém, em qual seção? A do romance.
  Topei e na minha frente vi, o par de óculos pretos. E o mistério se desvaneceu... As diferenças, sim, existem, mas o romance aconteceu.
   

domingo, 2 de agosto de 2015

A síndrome do papagaio

  A família tinha um papagaio. Até aí, nada de novo, muitas famílias têm. Mas, o que ninguém esperava, era que tal evento acontecesse, ainda mais dessa maneira.
  - Mãe, o papagaio do Luiz falou!!! - disse a pequena Alice, de apenas 4 anos.
  - Mas é normal isso, minha filha. - respondeu a mãe, como o fato de o papagaio falar, fosse a coisa mais normal do mundo - mas quem disse que o nosso papagaio é só do Luiz?
  - Mas mãe, o Luiz está falando igualzinho o papagaio. - falou Alice admirada.
  E de fato, Luiz soltava os "curupacos" e assobios característicos de um papagaio, e percebia-s que, por mais que ele tentasse, estas eram as únicas coisas que ele conseguia emitir. Voltou-se a atenção para o papagaio, o bicho de verdade.
  Viu-se que o papagaio apresentava um traquejo tão grande a falar, que até dava para acreditar que ele era praticamente um ser humano travestido de papagaio. O engraçado, para não se dizer trágico, é que tal evento, que nesta altura do campeonato já durava dias, foi chamando cada vez mais a atenção. Os vizinhos todos comentavam, e o conhecido do irmão do primo do outro vizinho que tinha um amigo cientista, fizeram que tal informação chegasse a ele. E ele se pôs a observar.
  E foi observando que, ao mesmo tempo que Luiz se repetia cada vez mais como um papagaio, mais o papagaio raciocinava, e até apresentava um certo grau de sensibilidade, que já não era visto em muitos humanos, hoje em dia. 
  Era como se Luiz e o papagaio tivessem sido submetidos a uma experiência, para ver o quanto um humano poderia influenciar um papagaio, mas, na verdade, aconteceu exatamente o contrário, ou até mesmo, uma troca de personalidades.
  Percebeu-se que, com o passar do tempo, Luiz ia imitando cada vez mais seu papagaio, palavras soltas e sem sentido, desumanizadas, sem profundidade.
  Mas o cientista foi além, não se ateve somente a observar o menino, mas sim, as pessoas a sua volta.
  Nas suas observações, ele pode constatar que não era somente este o único a se pronunciar com palavras vazias, repetitivas e sem profundidade. A maioria das pessoas que o cercavam, talvez com a única exceção da pequena Alice, se comportavam de maneira semelhante, bem rasas, sem emoções, somente proferindo tais palavras, sem profundidade nenhuma, simplesmente repetindo pequenas expressões de praxe, que não serviam para quase coisa nenhuma.
  Foi aí que o cientista se deu conta que não se tratava de uma aparente troca de personalidade que ocorrera aí, o diagnóstico era maior e mais grave: superficialidade e tendências animalísticas, se é que poderia se chamar assim, porque, o que se constatava era uma "desevolução" causada, talvez pelas facilidades, mordomias e auto privação de algum sentido de vida, que de repente, pode ser chamado de preguiça de ser e pensar, que até os animais parecem mais "humanos" do que as próprias pessoas.
  Tem jeito?! Sabe-se lá... Mas acontece que parece contagioso. Seres humanos que apenas reproduzem sons, sem ideias, sem vida, sem sentido... E por enquanto, não se encontrou cura... Quer dizer, existir a cura existe, mas...

O segredo de seus olhos

  Seus olhos, um vitral, o mais agradabilíssimo de se ver.   Seus olhos, um mistério, o que eu mais gostaria de entender.   Seus olhos,...