quinta-feira, 23 de julho de 2015

O livro preferido

  Todos os dias eu pego o ônibus.
  E comigo, uma menina.
  Na verdade, não era bem comigo, ela simplesmente estava lá, todos os dias, e eu a observava.
  Observava porque ela sempre tinha por companhia, um livro, e parecia que não precisava de mais nada em sua vida, do que aqueles livros.
  Era interessante, ela ria e por vezes chorava. Seu semblante sempre acompanhava as emoções, que eu suponha, o livro transmitia.
  Ela nunca estava sozinha, e por consequência, eu também não estava, pois, se por companhia ela tinha seus livros preferidos para ler, eu também não estava, pois ela era o meu livro preferido... E que com muita admiração e prazer, eu lia.

Reticências

  O que seria da minha vida sem palavras.
  Não poderia pensar, nem respirar e nem viver.
  Dependeria de uma sobrevida que não me completaria.
  Sem graça, sem ar, sem alimento, sem vida.
  Pois as palavras bailam na minha cabeça e se transformam no ar que respiro, no alimento que me serve e na luz que me ilumina.
  As palavras são minhas guias e todas juntas são meu prumo.
  Algo necessário, indispensável, insubstituível.
  São elas que me dominam e são elas que me libertam.
  São elas que me intimidam e também me inspiram.
  São elas que me impulsionam a viver mais um dia.
  Elas são o que eu sou pois me traduzem.
  Me liberto, vivo e me vejo em palavras.
  Ela me traduz e me mostra ao mundo.
  E me mantém inacabada, pois sou um livro que ainda não se acabou...
  Em palavras...

O segredo de seus olhos

  Seus olhos, um vitral, o mais agradabilíssimo de se ver.   Seus olhos, um mistério, o que eu mais gostaria de entender.   Seus olhos,...