terça-feira, 4 de outubro de 2016

Um dia no jardim

  Um belo dia, nossa mãe nos chamou para ajudá-la a cuidar do jardim. Um dia maravilhoso, entre flores e folhas, e os nossos queridos pirralhos. É claro que no meio da jardinagem surgiria mais uma das pérolas da nossa dupla dinâmica preferida e não deu outra!
  Enquanto nossa mãe tratava das flores, ela percebeu um número considerável de ervas daninhas e comentou conosco:
  - Nossa! Eu não deveria ter ficado tanto tempo sem cuidar das minhas margaridas e das rosas! Olha só, quantas ervas daninhas que tem por aqui! Coitadas!
  E pronto! Ponto de partida para a imaginação desses dois!
  - Lucas, Lucas... Corre, vem ver as daminhas... A Daminha Margarida e a Daminha Rosa... Vem!!!! - gritou Larissa toda animada, pois estava mais próxima da minha mãe.
  - Ué, cadê?! - surgiu Lucas, do nada.
  - Tia! Você falou da daminha Margarida e da daminha Rosa, mas eu não estou vendo nenhum vestidinho!!! Daminhas não usam vestidinhos?! - perguntou Larissa, confusa.
  - Lari! Você tem certeza que você ouviu daminha?! Porque assim, a dona Margarida só pode ser uma damona, porque ela é beeeeeeem grande!!! Ela é quase do tamanho de uma árvore!!!
 - Mas, Luquinha! - falou Larissa chorosa - A tia falou a erva daminha Margarida e a erva daminha Rosa! Se bem que a dona Margarida eu conheço, mas não conheço nenhuma Rosa!
  - Mãe, o que é erva daminha Margarida? Não tem vestido porque é a dona Margarida que é dama e... Já sei!!! A daminha são as flores e agora eu entendi o que é a folha pétala, Lari... São vestidinhos, todas as flores são daminhas!!! - concluiu Lucas sorrindo, na maior felicidade.
  Juro que percebi passando pela cabeça de minha mãe, a verdadeira explicação das ervas daninhas, e sim, ela explicou, tempos depois. Naquele momento, ela somente deixou Lucas e Larissa criarem as daminhas e a festa no jardim, os vestidos e a moda flores que a Larissa criou, e seus acompanhantes, as verdadeiras ervas daninhas que se retiravam, cansadas, depois de muito dançar. Lembrou até o jardim das flores de Alice.
  Viver com eles é viver com mágica.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Expresso da vida

Expressão
Expressivo
Expresso
Me vê um café
Ou um trem
Qualquer um dos dois
Me fazem fugir
Do que não é expresso
Inexpressivo
Inexpressão

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Retrato de família

  Observava ao longe, a família.
  Todos em círculo, conversando alegremente, a pequena, a nenenzinha no colo, ora de um, ora de outro, tirando fotos.
  Me coloquei a pensar quando foi que o tempo passou tão rápido. Minha filha, planejando o casamento, seus primos, amigos e irmãs, os padrinhos e a bebê, a mais linda daminha. E todo lá, a tirar fotografias.
  Mal sabem eles que a fotografia mais bonita, fui eu quem tirei. 
  A fotografia que tirei com os meus olhos e que ficará guardada eternamente na minha memória. Da minha família reunida, felizes, conversando. O melhor quadro que eu poderia fazer.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Retrato escrito

Engana-te se tu achas que é impossível
Te retratar somente com o pincel
Pois saiba que retrato com cada palavra
Que a minha pena profere

É que nela está contida o meu desejo
Que inflama a tinta na brancura do papel
Como o meu toque sobre a tua pele
E incandesce

O negro da tinta que pode ser facilmente
Confundida com o preto de seus cabelos
Belos fios que se emanharam nas sentenças
Proferindo todo o meu sentimento em ardor

A profundidade dos teus olhos
Se retratam no poema
Que se formam nas minhas estrofes
E me perco...

Teu corpo, uma poesia perfeita
Que mexe com meus brios, saudade e sentimento
Te retratando por meio dos meus dedos
Te interpretando por nossa expressão

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Esconderijo

Vivia entre escritos e rabiscos
Acredito que se encontrava mais nos rabiscos do que nos escritos
Afinal, era muito mais fácil se esconder do que se mostrar
Sendo assim, passa a vida a rabiscar.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Lápis lesma

  - Pedrinho, você pode me explicar uma coisa? Por que a gente escreve com o lápis e por onde ele passa no papel, ele deixa a marca dele, parece até que se desmancha, mas quando ele não está passando no papel, ele não se desmancha... Ah! Já sei! Acho que ele deve ser como aquela lesminha que eu vi outro dia que vai deixando uma marquinha no chão por onde ela passa, será então que eu posso chamar o lápis de lápis lesma? Acho que sim, isso explica porque eu escrevo tão devagar, né? Mas o lápis lesma é um pouco diferente da lesma lesma porque a marca que ele deixa é mais escura, deve ser porque o papel é branco, né? Ah... Obrigado por tirar a minha dúvida, foi muito legal!
  E Lucas foi embora sorrindo, agradecido pela dúvida que eu tirei... Se o lápis tem algo de lesma, o cérebro e a boca do Lucas não têm e me pergunto: Como esse ser respira?!

terça-feira, 14 de junho de 2016

Tudo em mim

Existe uma confusão de palavras de minha mente
Uma profusão que não tem fim
Existe um mar de ideias na minha cabeça
Navego, me perco e me acho, um pouco de tudo, enfim
Existe uma imensidão de sentimentos no meu peito
Colérico e manso, começo, meio e fim
Sinto, penso, escrevo e carrego palavras, ideias e sentimentos...
Uma imensidão que não tem fim

segunda-feira, 6 de junho de 2016

O garotinho da vizinhança

  Anos já se passaram e a sua lembrança, hoje, já é muito vaga, mas nunca irá se apagar, completamente... O primeiro amor!
  É aquele tipo de amor que nasceu, mais para ser ideia do que realidade, aquele que nasceu para ser totalmente imaginação.
  É o sonho com o príncipe encantado do cavalo branco, ideia simples e longínqua, às vezes, sem a intenção de acontecer. Se completa e realiza, pura e simplesmente, por saber existir o ser.
  O amor novo e imaturo. Imaginativo e ingênuo. Intenso e dramático. Nada se compara a isso.
  E agora, depois de anos, casamento, filhos, vida, olha-se ao longe, o antigo garotinho da vizinhança, os anos no rosto, o cabelo grisalho, e sente-se o friozinho na barriga, os antigos sentimentos, como que, por 5 segundos, volta-se a ser a garotinha sonhadora... E volta-se para vida...
  

sexta-feira, 13 de maio de 2016

A crise do autor

  Todo autor que é autor, já deve ter passado por uma crise. 
  Aquele estranho momento em que, por mais que você se esforce, não sai uma palavrinha sequer na ponta do lápis ou da caneta. Dedilhado no teclado do computador, somente pequenas baboseiras sem valor sentimental, poético, literário, acadêmico, epidêmico, nada... Apenas o branco, ou, às vezes, um tanto de signo sem significado algum.
  Eu, como um bom autor, tive minhas crises, e acredito, que tive uma grande crise que nunca fora interrompida, e ainda estou. E sempre me perguntou: Por que diabos eu, que nos tempos de outrora, escrevia como um louco, agora não vem uma palavrinha sequer a mente?! Parei de pensar? Ou pior, de sentir?!
  Porque, todo dia é a mesma coisa, me sento defronte ao papel branco, à tela branca, e brancos eles ficam... Não consigo imprimir um sentimentozinho na sua brancura imensa, tal qual o oceano... Às vezes penso que perdi a minha capacidade de fazer poesia.
  É uma loucura imensa pensar numa coisa dessa... Mãos que proferiram as mais belas palavras (juro que não sou só eu que digo isso), poesia de amores, desamores, encontros e desencontros, a ânsia por exprimir novamente toda a reviravolta que se encontra na minha cabeça, se encontrar fadado às correntes da falta de criatividade, inspiração, ou seja lá o que seja isso...
  Crise de meia idade, é isso!!!
  Não, não, não... Que desculpa mais idiota que alguém pode se dar... Idade, estado, tempo, espaço... Cada coisa que se inventa... De repente, é somente uma engrenagem que funcionava, e agora, não funciona mais... O problema é se nunca mais voltar a funcionar, né?! Não pensemos nisso...
  Pensemos... Engraçado, eu estou falando com quem?! Com o meu eu-lírico?! Engraçado... Eu-lírico... Já inventei tantos, quase tantos quanto Fernando Pessoa (para de mentir pra si mesmo, meu filho!!!), mas é verdade, já inventei alguns... Homens, mulheres, até crianças... Com os mais diversos sentimentos... Descobrimento, felicidade, melancolia, revolta... Bons tempos... Muitos com os sentimentos que apenas observei nos meus muitos poucos anos que me dão a crise de meia idade, mas pouco os vivi... 
  De repente, vai ver ser essa é a crise... Muito dr observa, pouco se vive... 
  Acho que o meu poeta, na verdade, os meus poetas, são as andorinhas... Passei a vida à toa, à toa...

quinta-feira, 5 de maio de 2016

O tempo

Não importa as voltas que o mundo dê
Ou o quanto o tempo passe
O branco do papel sempre volta a ameaçar

Não pelo fato de ser branco
Mas sim pelo o que ele representa
Afinal de contas, o branco do papel
Mostra o branco que está presente na ausência de acontecimento

Um paradoxo muito plausível
Que nos dias de hoje nos encontramos
Acontece tanta coisa conosco
Que acaba não acontecendo nada

           É o tempo diminuto
                        Diminuído
                              curto
                        para
                                fazer
                               o que
                       necessitamos

Para usá-lo em coisa que precisamos
Ou melhor, fazemos para sobreviver...
Viver dedicando o tempo a uma sobrevida
Vivida aos trancos e barrancos da necessidade
De se encaixar em uma vida que às vezes
Não é a nossa que queríamos ter...
Só esquecemos de dedicar o tempo para
                         SER!

Por isso que o branco do papel é intimidador!
Mostra o tempo que estamos perdendo para ter
E não o tempo que deveríamos usar para ser.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Seu ser

Encontro no seu braço, o abraço de que tanto preciso
E nos seus olhos, a lente que a vida fica mais bonita de se vê
Na tua voz, melodia que me encanta os ouvidos
E na boca, o sorriso e o beijo que tanto anseio por ter

O seu ser, resumo de tudo que preciso, sonho bom de sonhar
Seu ser, extensão do meu ser, aquele que veio me complementar
Deixou de ser um simples qualquer, aquele que quero para caminhar
Que me ajudará a aprender, a viver, a ser e a ensinar

Complemento de uma vida que por ora se encontrava absorta
Agora encontrou a chance de sair, desanuviar e voar
Mostrou como as coisas podem ser um pouco melhores
Para uma vida que já era boa, mas que precisava um pouco mais, se elevar

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Meu coração e seus olhos

Meu coração, não sei porque
Se exalta sempre que
Entram em contato, com seus olhos, você

É descompasso, até mesmo estranheza
Talvez não se encontre preparado
Para acontecimento de tal beleza

É por ele ter feito de seus olhos
Uma morada que ele quer por fixa
Não sabe se conseguirá, incerteza... Ah que vida!

Espera por um sinal que seus olhos
Reluta por não dar. Espera ansiosamente
Que os seus olhos o passem a olhar.

Olhar esse coração, machucado... Ferido...
Mas que carrega uma esperança
E que se acendeu novamente, com o seu sorriso.

Sorriso com os olhos
Que faz bater mais forte o coração

O seu sorrir com os olhos
E é todo seu, meu coração!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Referências

  Tenho guardado em mim, todos os sonhos do mundo, sonhos estes que teimam escapar pelo meu lápis.
  Por vezes, são muito bonitos, carregados de uma ternura tão simples, que amolece os mais duros dos corações.
  Por vezes, são fortes. Ideias e ideais que aspiram por mudanças. O novo e o diferente... A parte que não se conforma, o preço do feijão que não cabe no poema.
  Às vezes, é só grito, desespero. O sufoco no meio da incompreensão.
  É a mãe, a filha, por vezes anjo e por vezes mulher.
  Tudo de dentro e o de fora que me constrói, poesia, texto e imaginação.
  Às vezes, sou criança brincando na ciranda da vida e por outras vezes, pássaro novo se aventurando longe do ninho.
  Às vezes, sei e às vezes, não sei.
  Às vezes, não sou e às vezes, sou.
  E tudo isso que meu lápis escreveu, sempre, me confunde da cabeça aos pés e me devora.
  É o ser, simplesmente, em mim.

Alma

  Almas afins não se encontram, mas sim, se reconhecem. As famosas almas gêmeas, como muita gente costuma chamar, mas o mais importante mesmo é saber que elas se reconhecem.
  Quando se fala que simplesmente se encontram, dá a impressão que são duas almas, que aleatórias, se toparam e por sorte, se identificaram.
  Já, falando que se reconhecem, percebe-se claramente uma profundidade muito maior. Reconhecer é conhecer de novo, o que já é conhecido, o que já se é próprio, o apropriado para você.
  É o que se faz sentido, sentimento pleno de completude e cumplicidade. É o trocar de vidas em um só olhar.
  Almas afins não se trata somente adição, não, na verdade, é ser e é estar. Estar com o outro e sê-lo de maneira plena.
  É amor, é respiração.
  É estar entrelaçado, de corpo, alma e coração.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Apenas uma reflexão

  A sociedade é machista. Até aí, nenhuma novidade, certo?! Ouvimos, sempre, várias mulheres falando essa famigerada frase, mas, eu gostaria de saber, se elas entendem o real sentido dessa frase e o significado que ela acarreta.
  Antes de mais nada, eu gostaria de dizer que este texto não tem o intuito de ser um texto feminista, e sim, um desabafo de cunho totalmente pessoal de minhas experiências e observações, é óbvio que se é pessoal, só pode ser minhas opiniões, mas enfim. O caso é que quero chamar a atenção para uma coisa que há tempos penso... Vou parar de enrolação e vou para as vias de fato!
  Como eu já disse, constantemente, ouvimos mulheres pronunciando a frase: a sociedade é machista, porque sim, é fato que viemos, e ainda estamos, em uma sociedade patriarcal, que há muito custo, muitas mulheres lutam, para cada vez mais, conseguirem o seu lugar ao sol, pode-se dizer que até tiveram muitas vitórias, mas eu me pergunto o por quê ainda não se tem uma sensação de uma liberdade mais completa.
  Tudo isso tem um contexto histórico que está completamente enraizado no nosso pensamento (e sim, como mulher, me incluo nessa), pois, se hoje ainda não temos essa sensação mais completa de liberdade, é porque recusamos que tais pensamentos saiam de nossa cabeça, mesmo nós sendo mulheres. Vou explicar melhor.
  Uma coisa que é opinião minha, completamente, e se você discorda comigo, convido totalmente para deixar sua opinião e mostrar o que você pensa, é que, por mais que falemos que a sociedade é machista, e por ser assim, a mulher tem a voz bem mais diminuta do que o homem, mesmo assim, ela (e digo mulher no sentido geral), faz parte da sociedade, certo? Então, será que muitas mulheres são machistas?! Sim, eu acredito que sim, completamente!
  Por que eu digo isso?! Porque existem conceitos enraizados na cabeça das pessoas que propagam esse estado machista, vamos dizer assim, perpetuando uma coisa que se quer que se perca, mas, com pequenos acontecimentos, ideias e manifestações, faz-se com que permaneça, uma coisa que não cabe mais nos dias de hoje, pelo menos é assim que penso.
  Partindo para acontecimentos pessoais. Todos que me conhecem sabem que eu estou solteira. E já faz algum tempo, não me incomoda, não mais, mas foi um trabalho psicológico super pesado que eu tive que fazer comigo mesma, tamanha a pressão que eu tenho que lidar, com indiretinhas que recebo constantemente de várias pessoas, mesmo que algumas pessoas as dispare de maneira inconsciente, mas mesmo assim, elas existem. E outro fato de minha pessoa é que, por mais que tenha gente não acredite quando eu falo, vivo em uma luta constante com desânimo, ansiedade e depressão. Acredito que todos que lutam contra a depressão, tenha esses picos de bem estar e de mal estar, sendo, sensivelmente, perceptível para as pessoas. E sim, eu os tenho.
  Agora, o que anda me incomodando nestes dias é que, por eu estar em um pico de muito bem estar, em que, de certa forma, estou sinceramente contente, por estar conseguindo seguir uma dieta, que nunca tive força para seguir, completamente apaixonada por Lola, a minha gatinha de estimação, que gente, nunca pensei que fosse amar tanto ter uma gata assim, mesmo tendo muitos motivos aparentes, ainda sim atribuem a minha aparente felicidade para o fato de eu ter conhecido um homem que fará parte do meu cotidiano, mas que não necessariamente venha a ser um algo a mais na minha vida, mas, só pelo fato de ter conhecido, pronto, estou mais feliz pelo fato de poder fazer dele, um futuro namorado.
  Em experiências passadas, sempre que eu tingia o cabelo, ia à faculdade, em um dia qualquer com um batonzinho, emagrecia de maneira perceptível, já logo me falavam: tem homem no pedaço, né?! Ah, tá namorando!!! E pasmem, a maioria eram mulheres. Aí eu me pergunto: do que adianta as mulheres quererem e pensarem em grandes transformações para termos mais direito de igualdade, merecida, claro, se existe, claramente, um sabotamento de tal luta, com pensamentos tão restritos,  e sim, machistas?!
  Então, eu não posso ficar feliz por ter uma gata, por estar contente com a dieta, por estar lendo um livro bom, porque saiu o CD novo da minha banda favorita, mas, todo motivo para uma aparente felicidade, é por causa de um homem?!
  Eu acredito que são coisas assim, aparentemente pequenas, que atrapalham o alavancamento de coisas maiores. Isso é uma coisa para se pensar e se aplicar para todas as mudanças que queremos fazer, não só na nossa vida pessoal, mas na vida que partilhamos em sociedade. Não adianta querermos mudar e fazer estardalhaços grandiosos, tentando mudar o maior e o que se mostra mais, se não mudarmos essa menor parte que, de certa forma, é o alicerce de tudo que se mostra de maior. Pensem nisso, ou talvez não, sei lá, é só um desabafo meu mesmo, uma reflexão, que de repente, pode não ter sentindo algum... Mas e se tiver?! O que se tem que fazer para mudar?!
  

sábado, 9 de janeiro de 2016

Jardim de Inverno

 

  Vou ser sincera, a maioria dos livros que compro, tem duas origens: ou é um dos grandes clássicos (e clássicos, pode-se entender grandes nome da literatura brasileira e/ou estrangeira que eu acabo lendo *com grande prazer, claro* por ser formada em Letras ou os clássicos da cultura em geral, de aventura tais como Harry Potter, A História sem Fim, O Senhor dos Anéis dentre outros, que dispensam recomendações ou são livros recomendados por amigos, e nesse quesito, preciso agradecê-los por me conhecerem bem e me recomendarem livros de que realmente gosto muito, mas este aqui que vou escrever hoje foi diferente...

  Algumas vezes me aventuro... Andando pelas livrarias, às vezes, avisto livros que me chamam a atenção e vou ler a contra capa, às vezes, as primeiras páginas do livro, para ver como a leitura flui e por vezes me aventuro a comprá-lo e lê-lo... Dá certo, na maioria das vezes, na verdade, só uma não deu, mas essa, é outra história, e em um dia que eu estava na livraria com um amigo meu, me deparo com este livro, Jardim de Inverno. Admito, achei a capa muito bonita, se bem que sabemos que não podemos julgar o livro pela capa, certo? E eu vi a seguinte frase na capa: "Nós, mulheres, fazemos escolhas pelos outros, não por nós mesmas. E quando somos mães, nós suportamos o que for preciso por nossos filhos".

  E achei isso fascinante... Minha mão coçou muito para pegá-lo e correr para o caixa, mas, nem sempre que temos dinheiro, né? Por isso, não levei... Mas meses depois, até depois que eu já tinha esquecido dele, uma amiga querida, ao me perguntar que livro que eu queria ganhar de aniversário, me fez me lembrar dele e pedi... E ganhei... Tudo bem, fui ler somente 4 meses depois que eu ganhei, mas antes tarde do que mais tarde... E eu simplesmente me fascinei por este livro... Nem dá para explicar bem o que aconteceu, mas este livro me prendeu de um jeito, que não tenho como falar... Ele, simplesmente, precisa ser lido, esta é a realidade... 

  Fazendo um breve resumo do que se trata o livro, é a história de uma família, marido, esposa e duas filhas, cujo principal elo que a mantém unida é o pai, que depois de muito tempo, vem a falecer. A mãe, ou Mamãe, como ela é tratada a maior parte do livro, dá a entender que não ama as suas filhas. Desde crianças, as duas, Meredith e Nina, têm um relacionamento dificílimo com a mãe, que é muito dura e fria com elas duas... Um relacionamento complexo e desgastado que se arrasta desde a infância das duas e que influencia muito a vida adulta das duas. Elas não conhecem a si mesmas, por não conhecerem a mãe... E tudo isso vai mudar, depois da morte do pai...

  Anya, a mãe das meninas é russa, e, como já fora dito, não se relacionava bem com as filhas, na verdade, só falava quando contava, o que as meninas entendiam como contos de fadas, história que ela trouxe lá da Rússia, e aparentemente, a única coisa que ela conseguia compartilhar com as filhas... Até Meredith, ainda criança, decidir atuar o conto como presente de Natal para mãe, aí a tragédia se estabelecera, Anya reagiu super mal ao espetáculo, e desde então, Meredith decidiu nunca mais ouvir as histórias da mãe, fazendo com que o vazio que existia entre Anya e as filhas, ficassem ainda maior...

  Não posso mais continuar, isso seria spoiler, mas, o interessante é como a Nina consegue a mãe contar a história, que não é um conto de fadas, é a sua própria história, e aí que a coisa começa a ficar fantástica. É uma história que se passa há muito tempo, com direito a enredo histórico, além de uma sensível mudança de realidade fantástica para a dura realidade de uma pessoa que está vivendo no meio de uma guerra. Relatos, vivências de tempos muito difíceis e que vai justificando a personalidade dura que Anya acabara desenvolvendo e mudando totalmente a perspectiva de suas filhas que sempre pensara que a mãe não as amava...

  É um livro muito bom, romântico, com um pouco de drama familiar (na verdade, muito drama), conflito de personalidades e percepção de muito que nos faz pensar em nós mesmos e o que queremos da nossa vida... Admito, o que mais me deixou fascinada foi o enredo histórico (que não vou dizer qual, spoilers) e o final, muito sensível e fantástico que a autora, Kristin Hannah, deu, como uma pincelada final de um quadro muito forte e bonito. Não sei se os outros da autora são assim, mas se forem, acredito que vou adorá-la... Espero que procurem e leiam este livro que superou minhas expectativas... E se lerem, podem comentar, dizendo o que acharam!!!

O poema das formas

E há tempos que eu não escrevo
Pois esqueci... Das letras, da forma e da métrica

Nada mais se forma, em uma mente que agora se conforma
Em, de repente, não formar mais pensamentos, opiniões... Sentimentos?

Não!!! Basta de um conformismo que tenta enformar as mentes
De pessoas que se conformam e ser só isso, mais um...

Eu não sou mais um, por isso, vou me atrever
A desenforma a forma asfixiante que forma a maioria...

A maioria das fôrmas que fazem as pessoas à forma...
Em que fôrma você quer se formar?!

O Retrato

  Era um olhar encantador.   Uma candura na forma de rosto de menina, de mulher, que conseguia esconder bem, todos os seus segredos. Era ...