sexta-feira, 13 de maio de 2016

A crise do autor

  Todo autor que é autor, já deve ter passado por uma crise. 
  Aquele estranho momento em que, por mais que você se esforce, não sai uma palavrinha sequer na ponta do lápis ou da caneta. Dedilhado no teclado do computador, somente pequenas baboseiras sem valor sentimental, poético, literário, acadêmico, epidêmico, nada... Apenas o branco, ou, às vezes, um tanto de signo sem significado algum.
  Eu, como um bom autor, tive minhas crises, e acredito, que tive uma grande crise que nunca fora interrompida, e ainda estou. E sempre me perguntou: Por que diabos eu, que nos tempos de outrora, escrevia como um louco, agora não vem uma palavrinha sequer a mente?! Parei de pensar? Ou pior, de sentir?!
  Porque, todo dia é a mesma coisa, me sento defronte ao papel branco, à tela branca, e brancos eles ficam... Não consigo imprimir um sentimentozinho na sua brancura imensa, tal qual o oceano... Às vezes penso que perdi a minha capacidade de fazer poesia.
  É uma loucura imensa pensar numa coisa dessa... Mãos que proferiram as mais belas palavras (juro que não sou só eu que digo isso), poesia de amores, desamores, encontros e desencontros, a ânsia por exprimir novamente toda a reviravolta que se encontra na minha cabeça, se encontrar fadado às correntes da falta de criatividade, inspiração, ou seja lá o que seja isso...
  Crise de meia idade, é isso!!!
  Não, não, não... Que desculpa mais idiota que alguém pode se dar... Idade, estado, tempo, espaço... Cada coisa que se inventa... De repente, é somente uma engrenagem que funcionava, e agora, não funciona mais... O problema é se nunca mais voltar a funcionar, né?! Não pensemos nisso...
  Pensemos... Engraçado, eu estou falando com quem?! Com o meu eu-lírico?! Engraçado... Eu-lírico... Já inventei tantos, quase tantos quanto Fernando Pessoa (para de mentir pra si mesmo, meu filho!!!), mas é verdade, já inventei alguns... Homens, mulheres, até crianças... Com os mais diversos sentimentos... Descobrimento, felicidade, melancolia, revolta... Bons tempos... Muitos com os sentimentos que apenas observei nos meus muitos poucos anos que me dão a crise de meia idade, mas pouco os vivi... 
  De repente, vai ver ser essa é a crise... Muito dr observa, pouco se vive... 
  Acho que o meu poeta, na verdade, os meus poetas, são as andorinhas... Passei a vida à toa, à toa...

O Retrato

  Era um olhar encantador.   Uma candura na forma de rosto de menina, de mulher, que conseguia esconder bem, todos os seus segredos. Era ...