terça-feira, 1 de agosto de 2017

O Retrato

  Era um olhar encantador.
  Uma candura na forma de rosto de menina, de mulher, que conseguia esconder bem, todos os seus segredos. Era indecifrável.
  Tentei várias vezes, fazer um retrato, imprimir na tela, a doçura de seu ser. Seus cabelos cacheados, a sua pele levemente amorenada, com um leve toque róseo nas maçãs de seu rosto.  Seus olhos, grandes, verdes, que iluminam muito mais a sua pele, mas nunca consegui. Nada que eu fizesse, fazia jus ao seu ser.
  Eu não sabia o que era mais difícil retratar, seus olhos ou seus lábios. Talvez eu, na condição de um simples mortal, não conseguiria retratar essa minha musa, que me é, praticamente, uma deusa.
  Ah... Invejo eu a perícia de Da Vinci, que com sua destreza, conseguir pincelar o inigualável sorriso de Monalisa. Eu, me contento em carregar na memória, o rosto da minha amada. Obra de arte única, inexpressável, que guardo dentro de mim, na minha galeria de uma obra só. Minha musa, minha deusa, com seus olhos doce e inebriantes, e que para sempre, serão só meus.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Rio de memórias

As memórias são como um rio
Está fluindo, calmamente, sem interferir
Até que decidem se transformar em turbulência
Aí não tem mais quem segure
É lembrança que aparece para todo lado
Encharcando e inundando de emoções
O nosso ser...
                Sem barreira...
                                   Sem barragem...

terça-feira, 25 de julho de 2017

Ser escritor

  Acredito que eu possa dizer que eu sou um escritor.
  Não porque passei a minha vida entre contos e poesias, escritos que até me renderam algum dinheiro, apesar de achar que isso não é o que define um escritor. 
  Um amontoado de papel,com capa e palavras, qualquer um pode fazer, mas não é qualquer um que pode tocar um coração, e isso que é ser um verdadeiro escritor.
  E por tocar um coração, não falo que seja romanticamente, embora também possa ser, mas é você emprestar uma centelha de sua visão, para as pessoas que se afinam com você, desde o vizinho da porta ao lado, até uma pessoa que mora no extremo oposto que você, e aí, vocês passam a se conhecer, ou melhor, se reconhecer.
  Ser escritor é ser vários dentro de um, sentimento multifacetado, pensamento empírico que desnuda um ser completamente. Ser escritor é desnudar-se.
  Não das roupas que envolvem um ser mortal de carne, mas desnudar o invólucro imortal que faz de cada um, um ser. 
  Ser escritor é ser único.
  Ser escritor é ser doador.
  Ser escritor é mostrar o mais do mesmo e o mesmo do mais.
  Os escritor de um escritor não mais dele depois de terminado, é sempre do leitor, por isso, ser escritor é sempre dar presentes, para todos, inclusive para si.
  É ser uma alma sensível, em meio a muitas outras, além disso, é mostrar sua sensibilidade. Ser escritor é se mostrar.
  É criar vida, por fim, personagens-pessoas que passam a habitar o nosso mundo, como se sempre estivessem existido, como se fossem nossos amigos, inimigos, amores e desamores.
  Enfim, ser escritor é ser criador.
  Criar vida da tinta, sentimento do papel. Tirar cor do branco e colorir a imaginação, com quem aceita compartilhar um novo mundo, um novo modo de ser.
  Ser escritor é muito mais do que encostar a caneta no papel e escrever.
  Ser escritor é sentir, viver, transmitir, mostrar, doar, amar, criar... 
  No final de tudo, ser escritor é ter a mente inquieta e tentar inquietar o que se encontra parado, sem vida... Ser escritor é renascer, transcender... É sempre renovar...
  

Da série: frase do dia

Ser escritor é, muitas vezes, a ideia parecer muito melhor na cabeça do que no papel.

domingo, 23 de julho de 2017

Cigana

  Olhara para dentro dos seus olhos e enxergara o que mais ninguém conseguia ver.
  O pedido de socorro que tanto escondera, por anos, uma vida inteira, maquiada com o rosto alegre e um sorriso no rosto que nunca se apaga... Mas os olhos... Ah, olhos... Esses não são fáceis de se enganar.
  Quem era aquela mulher que, em um contato tão superficial, conseguira ler por completo o seu ser. Tal qual uma cigana, que por ventura, consegue ler a sorte das pessoas, lera a sua falta de sorte, transvestida da tristeza que seus olhos não escondeu... Não para essa mulher...
  Quem é essa mulher?!
  Cigana misteriosa, que sempre me conhecerá, a fundo... E eu, nem uma centelha mínima do seu ser.
  Quem é esta mulher?!
  Eu, na minha simples ignorância de reles mortal, vou sempre imaginar... Mas nunca saber...

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Mais um dia na cidade

  Era mais um dia corriqueiro. Os dois atravessavam a rua. Até aí, nada demais. Era simplesmente um dia.
  O que, de repente, pode deixar um pouco mais interessante o fato é que, eles atravessaram, sim, a rua, mas de lados opostos. Isso já poderia ser um acontecimento que renderia o começo de uma história hollywoodiana, se eles se falassem, ou até melhor, se se esbarrassem, mas isso não aconteceu.
  Os dois atravessaram a rua, caminhos opostos, se olharam, é fato, mas não passou disso.
  Cada um seguiu o seu caminho.
  Mas não acabou por aí.
  Depois de um tempo, coloquemos aí meia hora, quem sabe? Os dois teriam que fazer o caminho oposto que fizeram e que ocasionou o primeiro encontro, e, depois de meia hora, na mesma rua, na mesma faixa de pedestre, no mesmo semáforo, já não na mesma luz, porque, com certeza, as luzes dos semáforos já devem ter acendido e apagado várias vezes, voltando, por assim dizer, para os seus lugares de origem, eles se encontraram, novamente, e como estavam fazendo o caminho de volta, estavam no lado oposto em que se encontravam no primeiro encontro. Ele no lugar dela e ela no lugar dele. E se cruzaram novamente, e os olhares. Isso, sim, seria o engate para o filme de Hollywood, mas não deu.
  Eles simplesmente se cruzaram, sorriso de canto de ambos, ela viu, por terem se reconhecido e percebido a coincidência. Mas somente atravessaram, se atravessaram e seguiram caminho. 
  Nasceu e morreu aí, uma pequena história de amor, que poderia ter sido e não foi, mas que, em algum universo paralelo, com certeza, aconteceu. Foi o que ele pensou. Pena não estar lá, completou ela, conversando consigo mesma.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Luar

Guardo um pedaço de você ainda.
Um pedaço aqui dentro de mim.
Tal qual a brilhante luz da lua
Que sempre me inspirava a escrever
Sobre você
Esse pedaço de lembrança veio brilhar com a Lua
Embora, hoje, seja uma noite sem luar
E me lembro de um tempo bom em que você fora
Não a minha estrela, mas o luar
Que me acariciou nas noites mais solitárias
E que está lá, sempre a me guiar, mesmo que distante
Sempre a me olhar

terça-feira, 23 de maio de 2017

Uma breve reflexão ou A orquestra de palavras

  - Pedro, sabe o que eu estava pensando?
  - Olha, Lucas, não sei, não!
  - Eu acho que os escrevedores de livros são como aqueles moços de roupa de pinguim, que ficam com aquela agulha comprida na mão, organizando a música que você me mostrou uma vez na televisão, só que o escrevedor de livros usa o lápis, ou pode ser a caneta, para organizar as palavras. Eu acho que a gente pode falar que um livro, ou até um textinhozinho pequeno, é uma música organizada de palavras.
  - O nome disso é orquestra, Lucas!
  - Obrigado! É uma orquestra de palavras! Muito bonito. Até o nome fica bonito: ORQUESTRA DE PALAVRAS!!!

Da série frase do dia: O resumo de uma história de amor que se foi

Éramos iguais nas diferenças que tínhamos.

segunda-feira, 27 de março de 2017

O descobridor de palavras

  - Pedro, queria saber uma coisa! É muito sério! - falou Lucas com gravidade na voz.
  - Nossa, Lucas, fiquei até com medo! Aconteceu alguma coisa com você? - perguntei preocupado.
  - Sim!!! Eu estou pensando...
  - Ah! Só isso?! Até aí, nenhuma novidade... - exclamei rindo.
  - Mas eu queria saber, porque as palavras são assim, Pedro.
  - Assim como, menino?!
  - Assim, olha! Você já parou para pensar como as palavras são estranhas? Olha, você pega o lápis, ou a caneta, aí você faz umas voltinhas engraçadas e a palavra sai. Aí, tem outra coisa também!
  - Tem?! - perguntei segurando o riso. - E o que é?
  - Além das palavras morarem nas voltinhas engraçadas dos lápis ou das canetas, se bem que eu não sei se elas moram nos lápis e nas canetas ou se é na nossa mão, mas, como eu sei que essa palavra significa essa palavra de verdade?
  - Ué! Se eu entendi bem, eu acho que a gente sabe o que cada palavra tem o significado que tem, porque vemos no dicionário! Lá tem o significado das palavras! - expliquei para o pimpolho.
  - Tá! Mesmo assim, Pedrinho! Como eu sei que mesa é mesa? Quem deu esse nome? Como eu sei que mesa é mesa de verdade? E se o nome de verdade não é cadeira? Você já pensou? Já podemos estar chamando coisas com o nome errado por vários vários vários tempos e nem sabemos! - falou Lucas, abismado.
  - Mas, Lucas, calma, é só uma questão de...
  - Eu quero saber!!! - falou Lucas, afoito.
  - Isso é questão de como as pessoas inventaram as línguas, há séculos, foi simplesmente atribuição de significados...
  - Ah, Pedrinho! Mas isso é muito complicado! - exclamou o pequeno. - será que um dia eu vou conseguir entender tudo o que eu quero entender?
  - Sinceramente, eu espero que não! Afinal de contas, que graça sua vida teria, se você não tiver mais nada para descobrir? - indaguei.
  - Verdade! De hoje em diante, eu vou ser um descobridor de palavras! - disse Lucas decidido. - Vou ter muita coisa para descobrir, porque existe mais de um milhão de palavras (não sei de onde ele tirou isso), e a minha primeira descoberta vai ser descobrir onde posso descobrir as palavras!
  E saiu correndo para a biblioteca, descobrir onde se descobrem as palavras.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Olhos de menino

  É engraçado o jeito que você me olha.
  Esse sorriso, que está muito mais nos olhos do que propriamente nos seus lábios. Olhar de menino travesso que, por vezes me faz esquecer de todas as adversidades da vida.
  Inexplicável o bem que esse olhar me faz. É como se eu sempre tivesse alguém do meu lado, mostrando o lado bom de se viver.
  Não importa quais são os problemas, empecilhos, dificuldades... Nada...
  Nem mesmo a idade. Nada apagou essa vivacidade do seu olhar.
  Meu eterno menino que nem a morte levou.
  Guardo comigo, hoje, na lembrança, o amor de uma vida, um olhar tão querido... O seu olhar...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O sorriso da Monalisa

  Seus olhos castanhos são um mistério para mim.
  Esses olhos que me olham tal qual a Monalisa, que inexpressa o que você é ou sente.
  O seu sorriso, incógnita que mais complica do que auxilia neste ser que tanto quero ler.
  Essa indecifração que consome o meu ser por inteiro, que necessita ler e pede para ser lido, eu, esse livro aberto que se mostra tão desejoso de você.
  Engraçado... Você, que sempre foi o meu passado, é meu presente e será o meu futuro, esconde-se de mim como uma criança a brincar, que brinca com os meus sentimentos, que brinca com o meu brio.
  Faz de mim o seu menino, sequioso por seu acalanto, apaixonado por seu você. Enebriado por seus encantos, perdido em você.
  Mistério que me faz te seguir cegamente, esperando um dia poder mergulhar em você.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Poemeu

Queria poder escrever uma poesia
Em que eu pudesse mostrar todo o meu ser
Mas como tentar em poucas linhas tudo isso conter?
Como não transbordar um misto de pensamentos e emoções
                                                                                      que mal
                                                                                                  conseguem
                                                                                                                   ser?

Conter o que se transborda, como uma chuva de verão
Que no seu ímpeto repentino, deságua em turbilhão
E com a mesma força em que aparece, em calmaria se torna
Mostrando toda a dualidade do que é ser... Meu ser...

Que se arrebenta e se constrói, assim como a fênix ressurge
A cinza que se desmancha e que se constrói
Mostrando sempre o novo, a vida
Que se monta de onde já não se enxergava mais... A vida...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Invisibilidade

  Nunca me senti na obrigação de justificar ou fazer uma introdução para um texto que eu escrevesse, mas esse eu senti. Porque eu tentei, realmente não sei se eu consegui, pontuar as várias pessoas que são invisíveis e por muita gente, realmente, não se dar conta delas, por passar despercebidas. 
  Afinal, quantas são as pessoas que desejam bom dia ao motorista do ônibus ou à faxineira no banheiro no shopping? Quantos já trocaram uma palavra com a caixa do supermercado ou da farmácia? Quem sequer olha para os olhos deles?

  Olhou-se no espelho e não se viu mais. Mas como assim?! Até ontem tinha se visto, como podia não estar se vendo mais?! Mas não se via.
  Voltou a deitar, pois pensara que tudo isso não passava de um sonho. 
  Na sua meia hora de folga que lhe restava para levantar, definitivamente, descansara os olhos, de repente, fora o cansaço que lhe causara tal impressão, mas não teve jeito. No horário em que teria que levantar e banhar-se para mais um dia de trabalho, estava lá novamente, ou melhor, não estava.
  Tomou banho do mesmo jeito, parecia que o chuveiro estava ligado sozinho. Colocou a sua roupa costumeira de trabalho e saíra. Não fez diferença, não tinha ninguém lá para ver.
  Conforme foi andando na rua, percebeu que notava-se uma certa notoriedade para seu lado, parecia se sentir notado, mal percebia que os olhos dirigidos à sua pessoa eram de espanto, eram as roupas andando sozinhas.
  Pior foi quando chegou ao seu trabalho, nem a presença de suas roupas sentiram, só o resultado, no final do dia, seria notado, caso não acontecesse... E isso se repetia.
  Por dias, semanas, décadas... Uma vida.
  No fim, o que se via, era só uma roupa, um uniforme, vazio... Aí sim, fora percebido.
  Perceberam que a roupa sozinha não faz, não é, não tem utilidade. E só foi aí que notaram falta do ser, que já não era mais.
  A pessoa que não se viu, pela vida inteira.
  

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Portas fechadas

  Deixei que todas as portas se fechassem.
  As da minha mente, coração... As minhas palavras...
  Há muito que elas não aparecem para um simples desabafo ou contemplação do que se te a observar.
  E existe muito a se observar.
  As palavras, talvez se encontrem sem traquejo de sair do meu ser. Talvez seja o meu ser que se encontre sem tal ação.
  E por enquanto, trilho o meu caminho sem ação, mas até quando? Talvez me falte um motivo para a ação... Espero em breve, encontrar...

O Retrato

  Era um olhar encantador.   Uma candura na forma de rosto de menina, de mulher, que conseguia esconder bem, todos os seus segredos. Era ...