segunda-feira, 17 de julho de 2017

Mais um dia na cidade

  Era mais um dia corriqueiro. Os dois atravessavam a rua. Até aí, nada demais. Era simplesmente um dia.
  O que, de repente, pode deixar um pouco mais interessante o fato é que, eles atravessaram, sim, a rua, mas de lados opostos. Isso já poderia ser um acontecimento que renderia o começo de uma história hollywoodiana, se eles se falassem, ou até melhor, se se esbarrassem, mas isso não aconteceu.
  Os dois atravessaram a rua, caminhos opostos, se olharam, é fato, mas não passou disso.
  Cada um seguiu o seu caminho.
  Mas não acabou por aí.
  Depois de um tempo, coloquemos aí meia hora, quem sabe? Os dois teriam que fazer o caminho oposto que fizeram e que ocasionou o primeiro encontro, e, depois de meia hora, na mesma rua, na mesma faixa de pedestre, no mesmo semáforo, já não na mesma luz, porque, com certeza, as luzes dos semáforos já devem ter acendido e apagado várias vezes, voltando, por assim dizer, para os seus lugares de origem, eles se encontraram, novamente, e como estavam fazendo o caminho de volta, estavam no lado oposto em que se encontravam no primeiro encontro. Ele no lugar dela e ela no lugar dele. E se cruzaram novamente, e os olhares. Isso, sim, seria o engate para o filme de Hollywood, mas não deu.
  Eles simplesmente se cruzaram, sorriso de canto de ambos, ela viu, por terem se reconhecido e percebido a coincidência. Mas somente atravessaram, se atravessaram e seguiram caminho. 
  Nasceu e morreu aí, uma pequena história de amor, que poderia ter sido e não foi, mas que, em algum universo paralelo, com certeza, aconteceu. Foi o que ele pensou. Pena não estar lá, completou ela, conversando consigo mesma.

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